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Texto de autoria de Eugênio Maria Gomes, publicado no jornal Diário de Caratinga, em 26/03/2017

Esta semana fomos bombardeados com mais uma notícia ruim acerca do nosso “jeito brasileiro de ser”. No auge da discussão sobre a reforma, ou não, da Previdência Social, com o tema tomando conta da agenda de políticos, mídias e de boa parte da população, eis que surge no noticiário a “Operação Carne Fraca”. Um título que, por si só, já demonstra a fragilidade de muitos diante dos encantos que o poder, a riqueza, o ganho fácil e a vontade de se dar “bem” exercem sobre grande parte dos brasileiros.

Em relação ao segundo assunto, não posso deixar de questionar: o que mais falta acontecer a este país?  Adulteração de remédios, notas frias, sonegação de impostos, comércio generalizado de produto pirata, cola na escola, plágio, utilização de agrotóxico acima do aceitável, roubo de estatais, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, assaltos, furto de energia, furto de água, furto de sinal de internet, evasão em pedágios, desrespeito às filas, golpe no INSS, fraude no seguro desemprego, atestado médico falso, queima de arquivos, subornos, roubos em supermercados etc, etc, etc. A lista das infrações e dos desvios de conduta que costumam permear o dia a dia de milhões de pessoas parece não ter fim. Até com o futebol nós conseguimos acabar e, para coroar a nossa péssima imagem, agora chega a “Operação Carne Fraca”, para nos dizer que, provavelmente, há muito tempo, estamos comendo carne fora do padrão de qualidade.

Há quem diga que esta noticia foi dada como forma de tirar a reforma da Previdência do foco das discussões. Se a intenção era essa, quase deu certo. No entanto, a péssima notícia trouxe um prejuízo tão grande, tão fora de controle, que os principais veículos de comunicação e a maioria dos políticos trataram logo de conseguir outro tema que, também, desviasse o foco da carne. Até o presidente foi parar com convidados em uma churrascaria como forma de dizer que estava tudo bem com a carne e que os brasileiros poderiam consumir o produto. Esquece-se o presidente que pouquíssimas pessoas no país podem levar uma delegação tão grande para almoçar na Churrascaria Steak Bull, uma das mais caras do Distrito federal. Mais: ela não serve carne bovina nacional, mas sim a importada.

E as noticias ruins não param de chegar e, enquanto escrevo esse texto, ouço na TV que o país, pela primeira vez, não melhorou a sua posição em relação ao IDH – Índice de Desenvolvimento Humano – medido a partir dos dados de 2015. Aliás, a pesquisa mostra que, quando considerada isoladamente a renda do brasileiro, o Brasil caiu 19 posições em relação à ultima medição. Segundo os “especialistas do Planalto”, defensores da reforma da Previdência, esses dados justificam, ainda mais, a implementação das reformas, já que eles demonstram um país completamente estagnado. Ou seja, tudo o que acontece de ruim nesse país tem servido para justificar a retirada de direitos de muitos e melhorar os “rendimentos” de alguns.

Enquanto isso, quase que a mulher de Sérgio Cabral passa a cumprir prisão domiciliar, sob a alegação de que os pais estão presos e os filhos menores em casa, sem eles. Como se isso fosse considerado em relação às milhares e milhares de outras mães presas, cujos filhos, muitas vezes, são encaminhados a abrigos…

Carne podre, reforma da previdência, prisão domiciliar para a senhora Cabral, fantasmas no Planalto, estagnação do IDH, Lula querendo voltar, Magnólia presa, tiro no Tanaka, Big Brother, final de “Sol Nascente”, enfim, um monte de noticias a nos tirar do foco… Sim, porque qualquer coisa serve para nos tirar a atenção do que, realmente, interessa.

E enquanto a caravana passa, continuamos na janela, assistindo nossa miséria, comendo carne podre e correndo o risco de nunca nos aposentarmos. Mas enquanto isso o Congresso Nacional, aquele órgão lá em Brasília cuja maior parte dos seus membros frequenta com assiduidade as páginas policiais, ensaia editar mais uma pérola legislativa para contribuir com o aprimoramento da jovem democracia brasileira, uma reforma política que, se aprovada, irá eternizar em sucessivos mandatos os atuais caciques, vice-reis e coronéis que hoje lá estão, blindando-os, para sempre, com a benesse da prerrogativa de foro, e consequentemente, bem longe de Sérgio Moro e da masmorra que merecem ser lançados.

É gente, tá difícil de ser feliz…!

Mas como somos brasileiros, e já que acabou o Carnaval, vamos nos preparando para o São João!!!

Anarriê!!!

Eugênio Maria Gomes é diretor da UNEC TV, professor e pró-reitor de Administração do Unec – Centro Universitário de Caratinga. Membro da Assembleia da Funec – Fundação Educacional de Caratinga, do Lions Itaúna, do MAC- Movimento Amigos de Caratinga, da Loja Maçônica Obreiros de Caratinga e das Academias de Letras de Caratinga e Teófilo Otoni. É o Secretário de Educação e Cultura do GOB-MG



Texto de autoria de Eugênio Maria Gomes publicado em 22/3/2017, em comemoração ao 22o aniversário do jornal DIÁRIO DE CARATINGA.

Dois temas bem atuais: Liberdade de Expressão e Responsabilidade com o que se publica. Ostentando a condição de valor intrínseco ao conceito de democracia, a liberdade para se expressar é cada vez mais defendida por todos os que lutam por princípios e valores como a Liberdade, o Acesso ao Conhecimento, a Comunicação e a Educação. Também tem ocupado espaço no pensamento dessas pessoas a preocupação com o princípio da Responsabilidade com o que é publicado, porquanto liberdade para se expressar não pode significar falar o que quiser, sem ter de responder por isso. No foco dessa questão, também estão as Mídias. De maneira muito especial a Imprensa, de maneira geral, e a Internet.

 

Quando nos referimos à Imprensa estamos falando do conjunto de mídias que exercem a comunicação alicerçada na informação, excetuando-se, portanto, as mídias utilizadas para propagandas e as que têm como objetivo levar lazer e entretenimento aos receptores. E é justamente esse viés da informação que tem participado da construção da imagem de credibilidade da imprensa, desde que ela chegou ao Brasil, junto com a bagagem da família real portuguesa, no início do século XIX. É claro que não é apenas o fator tempo que tem ajudado nessa percepção do brasileiro acerca da seriedade da imprensa, mas, também, a postura dos profissionais e a linha editorial das diversas mídias utilizadas. Assim, também encontraremos determinadas mídias, nas quais, não acreditamos. Porém, em pesquisa nacional – realizada pelo IBGE, a pedido da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, percebe-se considerável grau de confiança dos brasileiros na imprensa, com ênfase para o jornal impresso.

 

Na outra ponta da escala de medição do “nível de confiança na informação”, está a Internet. Não por menos, essa é uma mídia que se tornou terra de ninguém. Um espaço onde as pessoas escrevem qualquer coisa e, muitas vezes, sem nenhuma responsabilidade. E o que é pior: um espaço onde reina, de forma livre e relativamente absoluta, a impunidade. Conseguir a punição de alguém que escreveu algo que não deveria – e não poderia – dá tanto trabalho e a solução é tão demorada que muitos dos ofendidos costumam deixar pra lá. No entanto, ações contra delitos praticados na internet crescem proporcionalmente ao número de usuários, demonstrando que, de fato, boa parte dos internautas está bastante à vontade para as suas manifestações, inclusive quanto a mentiras e criações de factoides. A respeito dessa impunidade, o editorial da “Gazeta Digital”, de fevereiro de 2016, registra o seguinte: “Os criminosos invadem sistemas e programas de computadores no Brasil sem o menor receio, fazem vítimas, destroem indivíduos e famílias inteiras a todo instante porque confiam que seus crimes não serão descobertos. Afinal, sabem muito bem que na contramão da velocidade virtual, trota sobre a velha carroça, a legislação brasileira!”.

Enquanto isso, a imprensa passa a ter um desafio cada vez maior para conseguir fazer com que a boa informação chegue ao seu destino, que atinja um número cada vez maior de pessoas, próximas demais de um veículo que virou uma “sensação nacional”, em um país em que mais da metade de seus habitantes acessa a internet, com mais de 80% deles o fazendo através do celular. Ou seja, não obstante a Televisão liderar o ranking das mídias acessadas, o rádio ter uma excelente aceitação e o jornal impresso ser lido, pelo menos uma vez por semana, por cerca de 20% da população (apenas 7% dos leitores o fazem diariamente), é a internet que oferece o acesso mais fácil, mais rápido, em tempo real.

Os defensores da boa informação poderiam pensar se esse não é, de fato, um caminho sem volta, se a informação será tratada de qualquer forma, sem cuidado e respeito, através das redes sociais, para sempre. Não, não será, na medida em que a imprensa conseguir utilizar, a seu favor, essa ferramenta tão importante, denominada internet. E a solução parece simples, com muitos veículos de comunicação de Caratinga e região já o fazendo, inclusive o nosso querido Jornal DIÁRIO DE CARATINGA, que nesta data completa 22 anos de vida e que reproduz o seu jornal na internet. Como bem diz o ditado, “se você não consegue vencer o inimigo, junte-se a ele”. Mas, a tarefa não é tão simples assim. Não basta, apenas, lançar a boa informação na internet, é preciso que as pessoas queiram acessá-la. Aí esbarramos em um problema estrutural do país, cuja solução parece, cada vez mais distante: a Educação. Enquanto não quebrarmos o paradigma de que a Educação só acontece nas salas de aula – e olha que lá ela somente acontece em algumas poucas delas – mas, pelo contrário, que ela precisa acontecer nos lares, nos grupos sociais, nas organizações, nas empresas etc, estaremos longe de uma solução para o assunto.

Com a precariedade da Educação, muitos “espertos”, verdadeiros experts em levar informações truncadas, travestidas de verdade, continuam a fazer o uso indevido da internet, alimentando milhões de mal educados, que acreditam na primeira coisa que leem, prontos à reprodução de mentiras como se verdades fossem, sem nenhum senso de responsabilidade pelo que dizem ou respeito pelas pessoas, entidades e instituições cuja honra maculam. Na internet, qualquer um se torna doutor em Física, Medicina ou Direito e fala com a autoridade de um especialista sobre assuntos que mal conhece.

A Internet, essa maravilhosa ferramenta, que como nunca antes visto, permite a divulgação instantânea de acontecimentos, serve de instrumento de reprodução de informações e democratiza de forma espetacular o acesso ao conhecimento, deve ser usada com responsabilidade, e o leitor, aquele que acessa a informação veiculada nesse tipo de mídia, onde a verdadeira autoria é sempre uma incógnita, deve cercar-se de todas as cautelas possíveis, antes de assimilar a informação e, principalmente, antes de reproduzi-la, pois, como se sabe, uma mentira dita mil vezes, pode se tornar uma verdade…

“As redes sociais deram o direito à palavra a legiões de imbecis que, antes, só falavam nos bares, após um copo de vinho, e não causavam nenhum mal para a coletividade. Nós os fazíamos calar imediatamente, enquanto hoje eles têm o mesmo direito de palavra do que um prêmio Nobel. É a invasão dos imbecis”

Umberto Eco, parece, tinha mesmo razão…!

Eugênio Maria Gomes é diretor da UNEC TV, professor e pró-reitor de Administração do Unec – Centro Universitário de Caratinga. Membro da Assembleia da Funec – Fundação Educacional de Caratinga, do Lions Itaúna, do MAC- Movimento Amigos de Caratinga, da Loja Maçônica Obreiros de Caratinga e das Academias de Letras de Caratinga e Teófilo Otoni. É o Secretário de Educação e Cultura do GOB-MG.


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Texto de autoria de Eugênio Maria Gomes, publicado no jornal Diário de Caratinga, em 19/03/2017

Se há algo que todo mundo sabe que é preciso aplicar, mas que poucos conseguem, é a tal da “Empatia”. Sim, muito complicada essa questão de se colocar no lugar do outro, de parar de olhar para o próprio umbigo e conseguir enxergar “fora da caixa”, um pouco além de seus próprios interesses, próprios conceitos e seus próprios valores e, quem sabe, chegar a sentir o que o outro está sentindo. Sim, ser empático é muito complicado. Mas, extremamente necessário para a melhoria nas relações interpessoais. Particularmente, não creio que a empatia seja uma característica inata, que seja inerente a todo ser humano. Percebo-a como uma habilidade a ser desenvolvida, fruto da boa vontade, do treinamento e do nosso amadurecimento emocional. Uma coisa é certa: qualquer um, por mais complicado que seja, pode sim ser empático em seus relacionamentos. A empatia leva as pessoas a ajudarem umas às outras. Está intimamente ligada ao altruísmo – amor e interesse pelo próximo – e à capacidade de ajudar.

 

Quando conseguimos ser empáticos com as outras pessoas, imediatamente passamos a fazer o melhor para elas, já que o pressuposto é querermos que elas sejam felizes com a mesma intensidade que gostaríamos, também, de ser. Ser empático é ter afinidades e se identificar com outra pessoa. É saber ouvir os outros, compreender os seus problemas e emoções E isto vale para todos os tipos de relacionamentos: familiares, sociais, amorosos e profissionais. Empatia… Um conceito bonito e fácil de entender, porém, muito complicado de ser aplicado, principalmente naqueles relacionamentos mais técnicos e menos afetivos, a exemplo dos sociais e profissionais.

 

Quando o foco são as relações amorosas, familiares e, até, as que envolvem grandes e fortes amizades, a empatia costuma acontecer com um pouco mais de naturalidade, principalmente quando gostamos muito da outra pessoa, cabendo, no entanto, o registro de que, até nestas relações, às vezes é muito difícil aplicá-la. Mas, apenas em algumas situações, posto que na maioria das vezes é possível, sim, ser empático. Quando isto acontece, passamos a desejar que somente aconteçam coisas boas aos que gostamos e amamos, bem na linha de uma das mais belas citações bíblicas, acerca do amor: “…O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta…” (1 Coríntios).

 

A empatia é diferente da simpatia, “porque a simpatia é como uma resposta intelectual, enquanto a empatia é uma fusão emotiva. Enquanto a simpatia indica uma vontade de estar na presença de outra pessoa e de agradá-la, a empatia faz brotar uma vontade de compreender e conhecer outra pessoa”.

 

Porém, nas relações sociais e profissionais, costuma ser muito difícil aplicar a empatia. E é fácil explicar, já que os objetivos pessoais, as características da personalidade e a maneira de enxergar a vida de cada um, são diferentes. Embora isto, também, seja uma realidade entre os membros que se relacionam de forma mais próxima, tanta divergência costuma ser aplacada pelos laços afetivos. O que encontra eco na frase “O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar. Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã de Caetano. Isso são só referências. Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca”, dita por Arnaldo Jabor.

 

Difícil, ou não, é bom que aprendamos ser empáticos. Aliás, é bom que queiramos sê-lo. Quando nos esforçamos para entender a outra pessoa torna-se mais fácil lidar com ela. E mais: quando aplicamos o conceito de empatia em nossos relacionamentos, conseguimos entregar aos outros aquilo que eles desejam e, em contrapartida, conseguimos receber aquilo de que precisamos. Por isso, é importante que consigamos ouvir ao outro e que deixemos de fazer julgamentos precipitados. Defeitos, todos nós os temos, ninguém é perfeito. Mas, são justamente essas diferenças, quando entendidas,aceitas e compartilhadas que podem nos ajudar a construir pontes que nos ajudem a transpor os rios da ignorância, da intolerância e do preconceito.

 

Ninguém está sempre totalmente certo, ou completamente errado. Sempre há maneiras diversas de sentir, de agir e de reagir diante dos infindáveis desafios da Vida. Cada um a sua maneira, cada um utilizando suas potencialidades, seus talentos e sua energia, persiste na cotidiana batalha do ser humano rumo ao encontro da Felicidade.

 

Somente sendo empáticos, somente tentando compreender e ver a vida com os olhos do outro, poderemos entender suas ações, compreender seu modo de agir, e assim, talvez, possamos ser juízes menos implacáveis, e sermos pessoas mais tolerantes.

 

Nunca podemos esquecer que temos que “entender as pessoas como elas são, porque apenas cada uma delas sabe a dor e a alegria que trazem no coração!”

 

Eugênio Maria Gomes é diretor da UNEC TV, professor e pró-reitor de Administração do Unec – Centro Universitário de Caratinga. Membro da Assembleia da Funec – Fundação Educacional de Caratinga, do Lions Itaúna, do MAC- Movimento Amigos de Caratinga, da Loja Maçônica Obreiros de Caratinga e das Academias de Letras de Caratinga e Teófilo Otoni. É o Secretário de Educação e Cultura do GOB-MG

 


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Texto de autoria de Eugênio Maria Gomes, publicado no jornal Diário de Caratinga, em 12/03/2017

A fofoca tem sido um dos grandes males da civilização moderna, causando problemas que vão muito além do que um simples mal-estar nas pessoas. Que ela sempre interferiu nos relacionamentos, separou casais, destruiu amizades, provocou rupturas nas relações familiares e comprometeu reputações, sempre ouvimos falar. Muitos dos que leem este texto, certamente já foram vítimas dela. Mas, recentemente, a fofoca passou a ocupar um patamar jamais visto em um ambiente onde ela sempre foi um pouco mais contida, qual seja, o ambiente profissional. Este crescimento tem causado muitos problemas às empresas e tomado o tempo dos bons gestores, não apenas no Brasil, mas em empresas de todo o mundo.

 

Em pesquisa realizada pelo Linkedin e atualizada por diversos institutos de pesquisa sobre o Clima Organizacional, no ano passado, milhares de entrevistados, em empresas de vários países, consideraram a fofoca como a ocorrência mais “irritante” no ambiente de trabalho. Cerca de 80% dos profissionais entrevistados, no Brasil, afirmam que há excesso de fofoca nas instituições brasileiras. O Brasileiro, de maneira muito particular, desenvolveu a tal “Rádio Peão” nas organizações, também conhecida como “Rádio Corredor”, entendida como os rumores – muitos sem pé nem cabeça – que surgem no ambiente de trabalho. Normalmente, estes rumores se originam devido às falhas na comunicação por parte dos gestores. Gestor que comunica bem, diminui o fornecimento do combustível que movimenta a tal “Rádio”. Infelizmente, grande parte das nossas organizações carece de uma comunicação eficaz, dando ênfase à informação daquilo que ela considera “bom”, omitindo dos funcionários aquilo que ela considera como sendo uma informação “ruim”. Ou seja, só socializa a boa noticia. Não é por menos que a Rádio Peão vive de notícias ruins.

 

Além da “Rádio Peão”, a presença do fofoqueiro isolado, setorizado, também tem causado muitos problemas às organizações, principalmente por conta da atuação de seus gestores em relação às fofocas. Boa parte dos gestores, em vez de administrarem a fofoca, tem administrado com a fofoca, algo muito perigoso para o sucesso dos empreendimentos e dos processos. Nunca é demais registrar que a fofoca somente prevalece porque há quem a alimente, portanto se o gestor passar a ter o mínimo de cuidado com o que ouve, certamente irá desestimular aquele que fala demais.

 

Mas, afinal, o que leva uma pessoa a cumprir esse papel de “Leva e traz”? Eu poderia aqui colocar varias opiniões de especialistas em Clima Organizacional, enchendo esse texto de explicações técnicas, que muito bem justificariam a fofoca e o fofoqueiro. Mas, resolvi apontar dois pontos, dentre os vários que eles defendem, e que coadunam com a minha experiência de administrador, construída ao longo destes trinta e cinco anos de trabalho: a inveja e a incapacidade. O fofoqueiro é, de fato, um ser provido de uma grande inveja, de quase tudo e de todos, mas, principalmente, daquele que é seu alvo preferido. Em cada palavra dita, seja ela verdadeira ou inventada, esconde o desejo de tirar do outro algo que ele, talvez, jamais conseguirá. Quando não é a inveja que o motiva, quase sempre é a incapacidade de caminhar com as próprias pernas, de mostrar competência através do trabalho, que leva o fofoqueiro a falar mal de alguém com o seu superior e com os colegas. Ele acaba usando essa “estratégia” como alicerce para se manter na função. Pessoas assim costumam ser “indispensáveis” no processo de algumas gestões. Porém, é imperioso que consideremos que o emissor da fofoca somente “ganha pontos” porque é alimentado pela existência de quem o escuta.

 

De toda sorte, a fofoca é um mal que precisa ser combatido nas organizações. A fofoca pode, às vezes, ter um efeito destruidor para a administração, para as pessoas e para os negócios.  Nosso grande desafio é conviver bem, integrados e em harmonia com os colegas de trabalho, com os subordinados e com os superiores. Não me canso de dizer que passamos a maior parte do nosso tempo, nas organizações. Sim, quando consideramos o período em que estamos dormindo, o que sobra é dividido em horas de trabalho e em horas para desenvolver as mais diversas atividades, tais como estudar, namorar, alimentar, fazer comprar, visitar pessoas, cuidar dos filhos, rezar etc.

 

Vamos acabar com a fofoca. Não apenas deixando de fazê-la, mas de ouvi-la também.

 

No âmbito organizacional não cabe muito o “falem mal, mas falem de mim! Embora isso só dê cartaz a mim, pois o despeito seu me põe no apogeu, prefiro que fale bem, ou então nem fale de mim!”.

 

 

 

Eugênio Maria Gomes é diretor da UNEC TV, professor e pró-reitor de Administração do Unec – Centro Universitário de Caratinga. Membro da Assembleia da Funec – Fundação Educacional de Caratinga, do Lions Itaúna, do MAC- Movimento Amigos de Caratinga, da Loja Maçônica Obreiros de Caratinga e das Academias de Letras de Caratinga e Teófilo Otoni. É o Secretário de Educação e Cultura do GOB-MG.


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Eugênio Maria Gomes

Texto de autoria de Eugênio Maria Gomes, publicado no jornal Diário de Caratinga, em 02/03/2017

No primeiro dia da semana passada recebi uma mensagem no famoso aplicativo do celular: “Muito obrigado pelo convite – é claro que eu aceito ser seu amigo no Whatsapp”. Achei estranha a mensagem, já que ela vinha de um número que eu não conhecia. Olhei um pouco acima e visualizei a mensagem que eu teria enviado ao novo amigo: “Aqui é o Eugênio, me aceita aí”. Na sequência começaram a chegar respostas a vários pedidos, com formatos de “solicitações de amizade” diferentes. Ou seja, não parecia vírus, parecia mais um clone, alguém usando uma conta análoga à minha. Na dúvida, enviei mensagens aos amigos e desinstalei o aplicativo. Ainda estou sem usá-lo, e é sobre isso, que eu quero discorrer neste texto.

Este período sem utilizar o aplicativo me tem levado ao pior e ao melhor dos mundos no que tange à comunicação com as pessoas. Acompanhe comigo:
1- Deixei de falar com várias pessoas, através de mensagens, na primeira noite em que deixei de usar o aplicativo.
2- Não ouvi áudios, não respondi aos vários “boa noite” e não pré-agendei alguns compromissos para a segunda-feira, como de costume.
3- Não dei boa noite, por mensagem, aos meus filhos, nem ouvi o áudio da minha neta dizendo “vovô, eu te amo”.
4- Por conta de não usar o aplicativo, logo na primeira noite fiquei meio “sem ter o que fazer”, e pude assistir ao noticiário, completo, sobre o que anda ocorrendo no Brasil e no mundo, pela TV.
5- Pela manhã, assim que acordei, não fui correndo pegar o celular e conferir as mensagens recebidas; fiz o meu café com calma, aparei a barba e, ainda, tive tempo de ler algumas páginas de uma revista, de circulação nacional, que há muito vinha recebendo e, sequer, tirava do plástico;
6- No primeiro dia, saí de casa antes do horário de costume e tentei fazer uma rápida visita à D. Euza, lá no Limoeiro, que recentemente perdeu o marido e nosso amigo, Zequinha. Infelizmente ela não estava à vista e fiquei com medo de incomodar.
7- Recebi o telefonema de um Irmão da Maçonaria, residente em Governador Valadares, com o qual converso sobre Educação, Maçonaria e Política, sem nunca tê-lo visto ou falado com ele, por outro meio, que não fosse o aplicativo. Nesse dia ele precisava de uma informação urgente e falamos, pela primeira vez, ao telefone.
8- Assim que cheguei ao trabalho fui abordado pela minha filha, com um abraço, já que não tinha podido me dar bom dia, via Whatsapp…
9- Falei com a minha filha Clara, por telefone, na hora do almoço. Como não tem jeito de enviar aqueles corações por voz, falei eu te amo e recebi o “eu te amo também, dad”.
10- Consegui tempo para fazer um artigo e iniciar um livro que está no “prelo” faz tempo…

E, assim, se desenvolveu a semana, fazendo coisas que, há tempos, esperavam uma oportunidade para acontecer, por conta da “atribulada” agenda imposta pelo aplicativo e pelo trabalho. Como sempre faço, mesmo com whatsapp, ministrei aulas, gravei programas, participei de reuniões, despachei documentos, atendi a agenda, resolvi questões diversas no trabalho, fiz uma palestra, escrevi artigos para o jornal, atualizei informações no site, visitei meus netos e, ainda, consegui: arrumar as gavetas de gravata, meias e cueca; separei roupas que não usava mais, para doação; engraxei, eu mesmo, três pares de sapatos; limpei arquivos do computador e desfragmentei o disco; zerei a área de trabalho do computador e guardei os arquivos importantes em um HD; organizei o escritório de casa e ordenei os livros na biblioteca; fiz o prefácio da bela obra “Janelas da Vida”, de autoria do Sr. Josephino Gonçalves, com lançamento marcado para breve; consegui tempo para visitar minhas tias e a D. Euza; caminhei no final de alguns dias e no começo de outros…

É claro que, essa experiência, é minha. Muitos conseguiriam fazer tudo isto usando, normalmente, o whatsapp. No meu caso, ficou claro, que o aplicativo estava atrapalhando algumas ações importantes na minha vida. Ficarei sem o whatsapp? Provavelmente não. Mas será preciso fazer o seu uso com parcimônia. Ficou claro para mim que o aplicativo tem me aproximado de pessoas e coisas que andavam muito distantes, difíceis de serem levadas a termo, como falar com um parente ou um amigo que andava sumido ou que reside em outro estado ou até em outro país. No entanto, também ficou claro nesta minha experiência sem o aplicativo, que ele estava me afastando de coisas simples, do contato de pessoas próximas, as quais eu não abraçava há muito tempo.

E você, como tem sido a sua experiência com o whatsapp? Você tem visto e conversado com os seus amigos, fora do aplicativo? Tem almoçado com familiares, visitado um parente ou dado um abraço, ao vivo e em cores, naqueles mais próximos?

A experiência sem o whatsapp tem sido muito difícil, complicada mesmo. Por outro lado, tem-me permitido viver mais intensamente alguns momentos, especiais. Preciso dos dois. Aqui, cabe a velha sabedoria dos Romanos “A virtude está no meio” – in medio virtus ! Tudo na Natureza caminha em direção ao equilíbrio, e os excessos, de qualquer espécie, rompem esse equilíbrio e causam sofrimento a nós e aos outros!

Haverei, de aprender a conciliar a necessidade que a moderna sociedade nos impõe de utilização das novas tecnologias de comunicação, com a necessidade humana do toque físico, de ouvir a voz, de sentir os odores e de realizar outras atividades que nos proporcionam prazer, alegria e que dão verdadeiro sentido à nossa vida e ao no nosso dia a dia.

Afinal, entre a dor e o prazer de usar o whatsapp há de existir um meio termo, que favoreça e facilite a comunicação, mas não me impeça de vivenciar todas as experiências, tarefas e prazeres que completam e dão sentido à minha existência.

Não é possível renunciarmos integralmente ao uso da Tecnologia. É como o vento! Não podemos mudar sua direção. Mas podemos sempre ajustar as velas do barco da Vida, para alcançarmos o nosso objetivo maior que é a Felicidade!

Eugênio Maria Gomes é diretor da UNEC TV, professor e pró-reitor de Administração do Unec – Centro Universitário de Caratinga. Membro da Assembleia da Funec – Fundação Educacional de Caratinga, do Lions Itaúna, do MAC- Movimento Amigos de Caratinga, da Loja Maçônica Obreiros de Caratinga e das Academias de Letras de Caratinga e Teófilo Otoni. É o Secretário de Educação e Cultura do GOB-MG