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Texto de Eugênio Maria Gomes publicado no Jornal DIÁRIO DE CARATINGA, em 24/06/2017

“Capital do sudeste mineiro, das cidades da Mata a primeira, deste Vale feraz do Rio Doce, és princesa, és rainha altaneira!”

Nascido em Matipó, eu cheguei a Caratinga aos quatro anos de idade, há exatos dois anos antes do golpe militar de 1964, portanto, cresci acompanhando o sofrimento das famílias Leitão, Sena, Schetinno, Almeida, Cindra e Vale por conta da perseguição da ditadura aos seus filhos, que lutavam por liberdade. Aportamo-nos no Bairro Limoeiro, numa época em que a BR 116 estava em fase final de asfaltamento e a grande fazenda dos Penas emoldurava a paisagem daquele brejão, no meio do qual corria um córrego cercado de taboas. Um tempo em que o acesso ao centro da cidade era feito por uma trilha, em um pasto, morro acima, transformado na atual Avenida Moacir de Mattos. Ali, no “Bairro dos Penas”, passei toda a minha infância e a minha adolescência. Momentos felizes que trago na lembrança e que, jamais, se apagarão.

Momentos que fortalecem o sentimento em meu peito de que, mesmo não sendo filho dessa terra, eu sou Caratinga.

Sou Caratinga porque vi o Bairro Limoeiro crescer e mudar de nome, o Bairro Floresta nascer ao lado da antiga cooperativa, o antigo prédio da Escola Estadual Menino Jesus de Praga ser ocupado por um Centro Universitário, uma borracharia se transformar em rodoviária e surgir a grande avenida que conduz à Paróquia de São Judas Tadeu. Sou Caratinga porque tomei gosto pela Leitura e pela Escrita através da mãe-professora Agripina, porque cantei “Menino Jesus, querido” no pátio, com a Irmã Ana Lúcia, porque fui à casa da professora Dora Bomfim e ensaiamos “Certa vez de montaria, eu desci o Paraná”, ao piano, com a professora Lúcia.

Sou Caratinga por conta de cada Mês de Maria vivido na igrejinha do Sr. José Nadim e da D. Leontina; das animadas conversas com o Sr. José Alves, pai da professora Geralda Rocha; das visitas ao Sr. Neguinho e à D. Petita; das brincadeiras diárias com Francisquinho, Fabinho, Paulinho, Isabel, Terezinha, Júlio, Urlênise, Tim, Lúcia, Joy, Thaís, Jackson, Regina, Márcia, Lena, Marinêz, Ricardo e tantos outros. Sou Caratinga porque bebi água da mina da casa do Sr. Joaquim Dutra e da D. Maria; porque tomei café com chocolate na casa do Sr. José Quiquita e da professora Helena, chupei manga do quintal do Sr. Hélio Pena, peguei cajá na porta da casa da Fátima e comi o frango ensopado na casa do Sr. Clemente…

Sou Caratinga porque cresci admirando a carreira de Ziraldo, comemorei o relançamento da “Turma do Pererê”, em 1970, e do livro “Menino Maluquinho”, dez anos depois; porque vi minha mãe comemorar o lançamento do álbum “Obrigado Querida”, do nosso ídolo Agnaldo Timóteo e nos alegramos quando a canção “Meu Grito”ficou em primeiro lugar em todas as rádios do país. Sou Caratinga porque conheci o Sr. Jair quando o seu filho Paulo Vieira era um garoto e vi os primeiros trabalhos do Marquito, marido da Cizinha…

Sou Caratinga porque convivi com os filhos do Sr. Parreira, da D. Ricarda, do Zequinha, da D. Mência, da D. Emília, da D. Geralda, do Sr. Joaquim, dos “Joões” e “Marias”, do bairro e do centro; porque estive na Rua dos Viajantes, encostado nos automóveis, enquanto as meninas desfilavam; porque aprendi as primeiras letras com o John Pena, enquanto ele ensinava à minha irmã Geraldinha… Sou Caratinga porque participei das quadrilhas comandadas pela D. Édna, porque ajudei a “bater” a laje da igrejinha do bairro, porque convivi com a turma do PSIU, porque vendi salgados no posto Caratinga e assisti à primeira coluna de sustentação do Santuário novo ser erguida…

Sou Caratinga, porque chorei com a morte de amigos, de familiares de amigos e, na cidade, sofri com o sepultamento dos meus pais, irmão, esposa, tios, avós e primos. Sou Caratinga porque o “Seu” Bento e a D. Idalina assim nos criou, a mim e a meus irmãos, como filhos dessa cidade querida. Sou Caratinga, porque peguei “xistosa” no Rio Caratinga e fiz serenata em suas casas, em suas ruas…

Sou Caratinga… Sou a cidade de Ruy Castro, Zirado, Agnaldo, Miriam Leitão, Flávio Anselmo, Mayrink, Marilene Godinho, Max Portes, Edra, Camilo Lucas, Paulo Vieira, Sthael Abelha, Monir Saygli, Monsenhor Raul, Zélio e tantos outros. Cidade das Palmeiras, da Itaúna, das Faculdades, das Igrejas, das Maçonarias, das Instituições Sociais e Culturais, das Empresas, do Comércio e dos Clubes de Serviço. Sou a cidade da Imprensa, das Rádios e das Televisões… Sou a cidade da Fé e do Café!

Mais que Cidadão Honorário da cidade, eu sou Caratinga! Sim, porque, aqui, criei os meus filhos, crio os meus netos, escrevo os meus livros, ministro as minhas aulas, desenvolvo os meus projetos, professo a minha fé, admiro a sua gente e brigo se falam mal dela. Sou Caratinga porque acredito em seu potencial, na sua capacidade de se reinventar, de ser próspera e feliz para os seus filhos – naturais e adotados -, porque desejo que ela seja, sempre, um bom lugar para se viver.
Sou Caratinga porque sempre a amarei como o fazem os seus filhos.

Sou Caratinga! E sempre haverei de lutar por seu feliz porvir!

“…. Nos terrenos instáveis do tempo / Só uma planta, o trabalho, é que vinga! / Trabalhemos irmãos para que a História / Possa um nome guardar: Caratinga”.

PARABÉNS CARATINGA!

• Eugênio Maria Gomes é professor e pró-reitor do Centro Universitário de Caratinga. Diretor da Unec TV e apresentador de programas nas TVs Super Canal, Sistec, Unec e Três Fronteiras. Presidente da AMLM – Academia Maçônica de Letras do Leste de Minas e membro das Academias de Letra de Caratinga e Teófilo Otoni. Membro do MAC – Movimento Amigos de Caratinga, do Lions Clube Caratinga Itaúna, da Loja Maçônica Obreiros de Caratinga e Grande Secretário de Educação e Cultura do GOB-MG.


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Texto de Eugênio Maria Gomes publicado no Jornal DIÁRIO DE CARATINGA, em 11/06/2017

Tornar-se um juiz de direito não é algo muito fácil. Exige, do candidato ao cargo, infinitas horas de estudo, um profundo conhecimento do Direito, tranquilidade para passar por entrevistas e provais orais, sem falar na disposição para se dedicar a uma função que exige concentração, horas de avaliação de processos e mais processos, além das horas normais de trabalho, haja vista o défice de juízes no Brasil, onde 23% das vagas existentes não estão ocupadas. Apenas em Minas Gerais cerca de duzentos cargos não estão ocupados por magistrados. Sim, um juiz de direito trabalha muito.

Tornar-se um bom juiz de direito exige mais: senso pleno de justiça, coragem e parcimônia para julgar vidas, cujo resultado influenciará em muitas outras vidas, sem falar no entendimento que o profissional deve ter de que a nossa Justiça, de fato, não consegue atender o cidadão no tempo adequado e de que é preciso, sempre, esforçar-se um pouco mais para dar celeridade aos infindáveis processos, distribuídos nas mais diversas Varas, Brasil afora. O diretor do Fórum Desembargador Faria e Souza e responsável pela 72ª Zona Eleitoral, Dr. Consuelo Silveira Neto, é um desses juízes diferenciados.

Quando pensamos na figura do juiz, é comum imaginarmos que ele ocupa tal cargo, mesmo tendo se esforçado muito para consegui-lo, porque teve um pouco a mais de facilidades na vida do que a maioria dos brasileiros costuma ter. Tal percepção se deve ao fato de que, via de regra, os magistrados são filhos de famílias abastadas, estudaram nas melhores escolas particulares e a ascensão ao cargo costuma ser o desfecho natural daqueles que nasceram em famílias da classe média alta. A trajetória do Dr. Consuelo, no entanto, encontra-se entre as exceções, a se considerar o perfil da maior parte dos magistrados brasileiros.

Recentemente eu tive o prazer de entrevistar o Dr. Consuelo, no programa “Começo de Conversa”, e conhecer um pouco de sua bela história de vida. Ele nasceu em Miraí, cidade localizada na Zona da Mata de Minas Gerais. Terra do grande compositor Ataulfo Alves, o menino que foi carregador de malas na estação ferroviária da cidade onde nasceu e foi trabalhar como secretário de um jovem médico, na cidade do Rio de Janeiro, para se transformar em um dos maiores compositores brasileiros, de todos os tempos. Aqui, sobre Ataulfo, cabe um registro: assim como acontece em relação ao nosso cantor, Agnaldo Timóteo, que faz questão de falar de nossa cidade por onde quer que passe, Ataulfo Alves jamais se esqueceu de sua terra natal. No entanto, diferentemente do que acontece por estas bandas, a cidade de Mirai respira Ataulfo Alves, festeja anualmente o seu nascimento e possui um museu no qual está exposta toda a sua vida.

A trajetória do Dr. Consuelo também foi de um menino pobre que, com muito esforço e foco em seus objetivos, tornou-se o grande magistrado que é. Filho de Dona Edite Silveira e do Senhor Consuelo Júnior, é o mais velho de três irmãos, um deles fisioterapeuta e, o outro, professor e também com formação em Direito, atual Secretário de Educação de Mirai. A mãe, enquanto solteira, era operária de uma fábrica de tecidos da cidade. Em 1974, ela se casou com um viajante e, como era de costume à época, deixou o trabalho e foi dedicar-se à família. Vida difícil, mas feliz. O menino Consuelo estudou as séries iniciais no Grupo Escolar Justino Pereira e, a partir da quinta série, foi aluno da Escola Estadual Santo Antônio, no centro da cidade, chamada na ocasião de “Ginásio Santo Antônio”, de onde somente saiu após a conclusão do ensino médio. Naquele tempo, já queria seguir a carreira jurídica, mas, infelizmente, como sempre acontecia com as famílias mais simples do interior de Minas, não tinha condições de arcar com as despesas de um curso preparatório para o vestibular, em um centro maior.

Durante dois anos, após a conclusão do ensino médio, o jovem Consuelo trabalhou em um escritório de contabilidade da cidade, com vistas a juntar um pouco de recursos que lhe permitissem sair de Miraí. Em 9 de março de 1995, recebeu do pai a boa notícia de que havia conseguido uma vaga para ele, em uma pensão, na cidade de Juiz de Fora. De posse da reserva financeira adquirida nos dois anos de trabalho e, com a ajuda dos familiares, para lá se mudou o rapaz, levando na pequena mala, além da saudade de sua família e de seus amigos, a esperança de um futuro melhor. Foi uma caminhada bem difícil: um ano de cursinho, até ser aprovado para a Faculdade Viana Junior, trabalhando 10 horas por dia – 4 horas como estagiário em um escritório de Advocacia e outras 6 horas na Casa do Albergado -, e estudando à noite. No terceiro período da faculdade, o jovem estudante recebeu o convite para trabalhar, em tempo integral, no escritório de advocacia, no qual atuaria posteriormente, como advogado, por dois anos.

Depois de alguns anos de preparação, Dr. Consuelo assumiu a magistratura, aos 33 anos de idade. Foi o 6º colocado no concurso, entre os 35 aprovados, de um total de 5 mil candidatos. Resultado do esforço do filho do Sr. Consuelo, o menino simples de Miraí, que sempre se inspirou na excelência do trabalho de parentes e amigos advogados e magistrados, para conduzir a sua carreira jurídica. Designado, inicialmente, como Juiz cooperador de Ipatinga, também atuou nas cidades de Coronel Fabriciano, Governador Valadares, Viçosa, Teixeiras e Inhapim. Em Caratinga, o causídico chegou em maio de 2013, na condição de juiz auxiliar da comarca, substituindo os colegas nas férias e depois, com a vacância do cargo na 1ª Vara Criminal, assumiu então o cargo de juiz titular.

O juiz e diretor do Fórum da Comarca de Caratinga é daqueles magistrados que pautam as suas ações para que o temor das pessoas seja substituído pelo respeito. Ele procura dar celeridade aos processos, ser acessível ao cidadão e, na tomada de decisões administrativas, por exemplo, mesmo sendo uma prerrogativa exclusiva do diretor, procura ser democrático, ouvindo os colegas, os funcionários – os quais considera como grandes colaboradores pelo trabalho que desenvolve na função – para que o impacto da medida adotada seja acolhido e comprometa, o menos possível, as atividades de todos.

Dr. Consuelo é um amante da boa música – de maneira especial, do samba – e do carnaval. Torcedor apaixonado do Fluminense – seu pai, também, é torcedor do Tricolor – é sócio do clube e visita a sua sede sempre que vai ao Rio de Janeiro. Mais que um excelente juiz, o Dr. Consuelo é um ser humano muito especial. Homem de fé, voltado para a família, conciliador, socialmente responsável, alegre e comprometido com o que faz. Alguém que acredita no ser humano, na vida e no poder da transformação.

Quando olhamos uma pessoa, assim, como o Dr. Consuelo, duas crenças insistem em ganhar forma como conceitos reais, bem definidos: a de que é possível ao homem atingir os seus objetivos, alcançar os mais belos e altos voos – a despeito das barreiras e dificuldades encontradas ao longo do caminho – e a de que o homem é essencialmente bom e que pode, sim, manter este status por toda a vida.

Ao vermos um Magistrado como o Dr. Consuelo vemos o porquê de a profissão situar-se entre as mais nobres, tanto que é a única que recebeu na Bíblia, um livro inteiro.

Dr. Consuelo Silveira Neto, um homem querido, admirado e respeitado por todos… Um Ser Humano diferenciado! Um magistrado que percebe, no seu cotidiano, que por trás das infindáveis folhas de papel que manuseia se escondem os profundos dilemas e conflitos da vida humana, que tem consciência de que cada sentença que profere pode alterar, definitivamente, o presente e o futuro de alguém, e que procura por isso, sempre aplicar o Bom Direito e alcançar, mesmo com as limitações dos Códigos e dos processos, o mais genuíno ideal de Justiça!

* Eugênio Maria Gomes é professor e pró-reitor de Administração do Unec – Centro Universitário de Caratinga, Diretor Geral da Unec TV, apresentador do Programa de Entrevistas “Começo de Conversa” (Unec TV, Super Canal TV e TV Sistec) e dos quadros “Crônica do Cotidiano” (TV Sistec) e Gestão em Ação” (Super Canal TV). Presidente da AMLM – Academia Maçônica de Letras do Leste de Minas, membro das Academias de Letras de Caratinga e Teófilo Otoni, do MAC – Movimento Amigos de Caratinga, do Lions Itaúna e da Loja Maçônica Obreiros de Caratinga. É o Grande Secretário de Educação e Cultura do GOB-MG