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Texto de autoria de Eugênio Maria Gomes, publicado no jornal DIÁRIO DE CARATINGA, em  12/11/2017

O termo profissionalismo normalmente é utilizado para descrever as ações, os comportamentos e as atitudes pautadas em normas de respeito, seriedade, objetividade e efetividade nas diversas atividades laborais que as pessoas exercem. Profissional é aquele indivíduo que exerce uma profissão, uma atividade que acaba por identificá-lo e distingui-lo perante os demais. Muitos profissionais são identificados facilmente até, por seu vestuário, e o profissionalismo exige comportamentos morais e éticos, próprios da área de atuação do profissional.

Um bom profissional exerce sua atividade com competência, com sobriedade. Muitas vezes, porém, ser profissional é confundido com apresentar um comportamento um tanto quanto mecanicista, distante, excessivamente sério. Não se trata disso. “O homem é a medida de todas as coisas”, sentenciou o sofista Protágoras. Cada ser humano possui uma realidade própria, que lhe é peculiar, uma história única, um genoma único, uma verdade própria, um espírito ímpar. Assim, cada um merece um tratamento individualizado, atenção e cuidados específicos. Por essa razão, muitos comportamentos estandardizados, encaixotados em pacotes pré-fabricados, que servem para todos, mesmo não cabendo em ninguém, acabam por depor desfavoravelmente à fama de determinados profissionais.

Essa falácia, que confunde o bom profissional com o profissional standard, precisa ser revista, principalmente nas profissões onde se lida diretamente com pessoas, como no Magistério e na Medicina. Precisamos desconstruir alguns conceitos, ou alguns falsos conceitos.

Ser profissional não é ser frio. A frieza é um dos piores comportamentos que um médico ou um professor pode ter para com seus pacientes ou seus alunos. As pessoas são seres emocionais por definição, são seres afetivos que esperam e buscam afeto. A frieza cria, instantaneamente, uma falta de interação entre o profissional e o cliente, e isso prejudica, no caso do Professor, o processo de aprendizagem e, no caso do Médico, o processo de cura. Empatia nunca é demais. Não é por acaso que a empatia é um indicador de inteligência emocional. Obviamente, esses profissionais, principalmente o Médico, precisa muitas vezes manter um relativo distanciamento emocional para que não se veja contaminado pelo estado de espírito do paciente e isso atrapalhe sua avaliação técnica do quadro de doença que está avaliando. Mas distanciamento emocional não é frieza. É, apenas, a criação de barreiras psicológicas capazes de protege-lo do desânimo e da tristeza que alguns pacientes apresentam.

Ser profissional não é ser grosseiro ou ríspido. Ninguém tolera grosserias. A rispidez nas palavras e nas atitudes acaba por provocar uma reação semelhante, cria uma instabilidade na relação e afasta o Professor do aluno, e o Médico do paciente. Todas as profissões apresentam desafios constantes, todas têm seus problemas, suas tensões. Não é fácil ser professor. Não é fácil ser médico. Mas os bons profissionais sabem evitar que esses problemas, que lhes são próprios porque pertencem às profissões que escolheram, não se traduzam em rispidez para com seus clientes ou alunos.

Ser profissional não é utilizar excessivamente termos técnicos ou palavras difíceis. Não há nada mais pedante do que o tecnicismo exagerado. Na Medicina, principalmente, o tecnicismo não faz sentido algum. O paciente, salvo raras exceções, não domina a expertise médica, e, assim, não compreende adequadamente seu diagnóstico, os exames que deve fazer ou evitar, os remédios que deve tomar. Um absurdo! Termos técnicos se utilizam em livros técnicos, em Congressos, em encontros com outros profissionais. No Consultório deve-se utilizar o português comum, mesmo assim, com adaptações, pois não podemos esquecer que vivemos em um país de milhões de analfabetos e analfabetos funcionais. Certa vez, um conhecido me relatou, desesperado, que o médico lhe disse que ele estava com candidíase oral e que ele temia, então, por sua vida. Disse-lhe, rindo, algo inevitável naquela situação, que antes de pensar em morrer ele devia parar de beijar demais, porque ele estava apenas com sapinho na boca…

Ser profissional, não é ser impessoal. As relações humanas são passionais. São as paixões que nos movem. Apreço, desapreço, simpatia, antipatia, gostar e não gostar são os sentimentos que qualificam as nossas relações. As pessoas esperam atenção, simpatia, e até mesmo, carinho. Não se trata de estabelecer com os alunos, ou com os pacientes uma relação amorosa, ou íntima. Trata-se de ser atencioso, simpático, enfim, carinhoso. Isso abre caminhos, estabelece pontes afetivas, propicia a recuperação, eleva a autoestima, enfim, só traz benefícios.

Todas as profissões têm suas dificuldades. Todos nós temos nossos dias ruins. Algumas pessoas são difíceis de lidar. Sim, tudo isso é verdade. Mas nada disso pode justificar um comportamento carrancudo, sisudo ou excessivamente circunspecto. Isso não é ser profissional. Isso é ser antipático!

Não sorrir, não fará de ninguém um profissional mais respeitado.
Brincar de modo respeitoso e comedido, elogiar, incentivar, estimular, aliviar, compartilhar fará de você uma pessoa simpática e um profissional melhor. Por fim, não existe nenhuma profissão em que o acolhimento não seja um diferencial.

São muitas as dores humanas. São muitas as perdas. A ignorância, a falta de compreensão de si, dos outros, do mundo existencial são obstáculos, são desafios que todos precisamos superar. Mas será muito mais fácil essa superação, quando encontramos ajuda e acolhimento naqueles profissionais que procuramos quando precisamos de alguém que nos dê a mão…

“Portanto, Eu vos recomendo: Usai as riquezas deste mundo ímpio para ajudar ao próximo e ganhai amigos, para que, quando aquelas chegarem ao fim, esses amigos vos recebam com alegria nas moradas eternas.”

• Eugênio Maria Gomes é presidente da AMLM – Academia Maçônica de Letras do Leste de Minas. É professor e Pró-reitor de Administração da Unec, membro das Academias de Letras de Caratinga e Teófilo Otoni. É membro do Lions Clube Caratinga Itaúna, do MAC- Movimento Amigos de Caratinga e da Loja Maçônica Obreiros de Caratinga. É Grande Secretário de Educação e Cultura do GOB-MG, Colunista do Jornal Diário de Caratinga, diretor da Unec TV e apresentador de programas de televisão nas emissoras Super Canal TV, TV Sistec, Unec TV e TV Três Fronteiras, esta no Vale do Mucuri.