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Na edição especial de hoje, a jornalista Nohemy Peixoto entrevista os escritores Marilene Godinho e Eugênio Maria Gomes, respectivamente, destaques da Cultura e da Literatura escolhidos pelo DIÁRIO em 2017

Marilene Godinho sendo homenageada pelas crianças

Eugênio, em noite de autógrafos

CARATINGA – A jornalista Nohemy Peixoto presenteia o leitor nessa edição com uma entrevista com os escritores Marilene Godinho e Eugênio Maria Gomes, destaques 2017 do DIÁRIO. Marilene Godinho é uma artista, promotora da Cultura em nossa cidade e região e, por isso, é o Destaque na Cultura. Eugênio Gomes é um dos escritores mais produtivos da região Leste de Minas e, também, um grande incentivador de novos escritores, sendo o Destaque na Literatura.

DIÁRIO – Como foi para vocês terem sido escolhidos como DESTAQUES 2017, do Diário de Caratinga?

MARILENE – Gostaria de agradecer ao Diário de Caratinga por me ter incluído entre os destaques da Cultura de 2017. Ver o meu trabalho reconhecido é um incentivo que acaba por me impulsionar a persistir no caminho que eu escolhi e a realizar sempre mais.

EUGÊNIO – Tenho que agradecer ao Diário, à sua diretoria e funcionários e, também, àqueles que participam da escolha dos “Destaques”. Para mim é uma honra e motivo de muita alegria, especialmente nesse momento em que caminho para as comemorações de 10 anos literatura. De certa forma, essa homenagem sinaliza que estou no caminho certo e ajuda a consolidar a minha trajetória, iniciada aqui, nas páginas do Diário de Caratinga.

DIÁRIO – Marilene, como é fazer Cultura em Caratinga?

 

MARILENE – Caratinga é uma terra que recebe bem os eventos e realizações culturais. O povo gosta de cultura! Mas, essa lida com a literatura – especialmente com a literatura – requer um esforço maior, para que as obras cheguem às mãos do leitor. Isto, porque o Brasil não é um país afeito à cultura. Desde os primórdios da nossa nação, a literatura era quase toda oral, porque os governos, sabedores do grande valor da literatura, e principalmente, do livro, que leva consigo a função libertadora do conhecimento, jamais tiveram o interesse de que o livro chegasse às mãos dos leitores. Daí esse “entrave”, que ainda perdura em parte da nossa sociedade, não obstante já observarmos uma mudança positiva em relação ao livro e à leitura.

DIÁRIO – Eugênio, a Marilene falou sobre esse “esforço maior” que a literatura exige para fazer com que o livro chegue aos leitores. Você pensa assim também? Como tem feito para “driblar” eventuais dificuldades?

EUGÊNIO – Marilene está certíssima – não é fácil fazer com que o leitor queira ter um livro às mãos. É cultural mesmo. Outro dia ouvi com tristeza de um colega da Academia de Letras de que ele não estava animado a publicar mais, já que era difícil fazer com o livro cumprisse o seu destino de passar a pertencer ao leitor. Mas, eu tenho esperança de que, daqui a alguns anos, a radiografia da leitura, no Brasil, esteja melhor, mais nítida. Graças a Deus temos percebido, nas gerações que estão chegando, um gosto maior pela leitura, principalmente por conta do esforço de educadores e de escritores, a exemplo da Marilene Godinho. Aliás, aprendi com ela que o livro precisa ser festejado, que é preciso oferecer ao leitor incentivos além da própria leitura, pelo menos inicialmente. Depois que ele acostuma, que se torna um amigo do livro, a parceria caminha sozinha e feliz. Particularmente utilizo as mídias sociais, utilizo muito a imprensa, faço parcerias, como forma de fazer o livro chegar aos leitores. Mas, de fato, não tem sido uma tarefa muito fácil, principalmente com os livros editados por aqui. Trabalho, também, com grande editoras e, nesses casos, a coisa flui com mais facilidade, já que o esforço de vendas é delas, não do autor.

DIÁRIO – Uma pergunta aos dois: não falta às editoras e aos órgãos ligados ao livro e à leitura, um movimento no sentido de incentivar mais a leitura, de transformar, por exemplo, o livro em um presente?

MARILENE – Interessante a sua pergunta Nohemy. Tradicionalmente, o livro nunca esteve entre os presentes dados aos filhos. Falta à família, ainda, uma cultura sólida de identificação do livro como um presente raro, algo que a pessoa levará para a vida toda, porque não existe nada maior e mais importante do que o conhecimento. Mas, com toda essa gama de títulos oferecidos, essa situação começa a mudar e o livro passa a ganhar um pouco mais de importância. Em Caratinga, por exemplo, as crianças leem muito. Quando eu comecei, há 40 anos, e lancei o meu “Balão Azul”, era difícil chegar com o livro nas mãos das crianças… Foi preciso muito esforço e muita ajuda das escolas, das professoras e dos prefeitos também. Eu não posso me queixar dos prefeitos, sempre me ajudaram. Apenas acho que as instituições, os poderes constituídos, precisavam investir mais na literatura e nos ajudar a realizar os nossos eventos. Dessa vez, não posso reclamar, o prefeito pagou todo o livro. Com o dinheiro arrecadado estou pagando a festa, porque eu gosto de fazer festa para o livro e para as pessoas.

EUGÊNIO – De fato, falta sim esse movimento em prol da literatura. Por parte das editoras, percebe-se um grande movimento em favor da escrita, com muitas delas facilitando as publicações, realizando tiragens pequenas, oferecendo serviços de editoração gratuitos, mas, sem acenar para o escritor uma ideia, pelo menos, de como ele colocará seus livros no mercado. Eu, particularmente, gosto muito de ganhar livros de presentes, mas percebo que não é comum as pessoas gostarem de serem presenteadas com eles. Talvez uma campanha “presenteie com livros”, por parte das editoras, das secretarias de Educação e Cultura, por exemplo, surtisse um efeito bem positivo nos leitores, principalmente, nos pequenos leitores. Quanto às instituições, em relação às privadas, tenho tido muita ajuda de empresas como a Viação Riodoce, o Supermercado do Irmão e Funec, sempre apoiando uma de minhas obras, o Radiografias do Cotidiano, cuja renda é totalmente destinada às atividades sociais e culturais. Tenho esperança de que o Poder Público, um dia, também participe efetivamente dos grandes movimentos culturais do país, de maneira especial, da literatura, até então relegada aos segundos e terceiros planos.

DIÁRIO – É comum ouvirmos que “Somente a Educação pode salvar o país”. Como a Literatura pode ajudar a reverter a atuação situação do Brasil?

MARILENE – Como eu disse, o livro tem uma função libertadora, através do conhecimento inserido nele. Quem lê, sabe mais. Quem lê muito, sabe muito e, certamente, saberá escolher melhor os seus governantes.

EUGÊNIO – A leitura pode mudar a vida das pessoas e, por conseguinte, ajudá-las em suas escolhas. Eu acredito que o livro pode abrir portas, janelas, construir e reconstruir histórias. O livro e a leitura podem mudar o Brasil.

DIÁRIO – Querem fazer algum complemento?

MARILENE – Eu quero agradecer, mais uma vez, ao Diário de Caratinga, por essa homenagem. Agradeço, também, essa oportunidade de poder falar a todos e agradecer a todos os amigos que me acompanham nesses 40 anos de literatura. Obrigado amigos – e vamos continuar, porque o livro é muito importante na vida da criança. Obrigado mais uma vez e que Deus os abençoe neste Natal, para que possamos colocar mais livros, mais conhecimento e mais felicidade.

EUGÊNIO – Mais uma vez, os meus agradecimentos ao DIÁRIO, não apenas pela homenagem, mas também pela cessão do espaço, onde publico os meus textos semanalmente, através da coluna “Começo de Conversa”, bem como através das colunas das Academias de Letras ACL (Academia Caratinguense de Letras), e AMLM (Academia Maçônica de Letras do Leste de Minas) e ALÉM DA PALAVRA. Meu agradecimento especial aos amigos e leitores, já que sem eles não teria qualquer sentido escrever. Sigo firme, acreditando na força da literatura. Que Deus nos abençoe e que, em 2018, prevaleçam a Fé, a Esperança e a Certeza da potencialidade do livro e da leitura.