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Texto de autoria de Eugênio Maria Gomes, publicado no jornal DIÁRIO DE CARATINGA,  em 18/03/2018

Esta semana fomos surpreendidos com a noticia da morte de Stephen Hawking, físico e pesquisador inglês, um dos cientistas mais conhecidos e queridos do mundo. Pode parecer estranho falar-se em surpresa quando o assunto é a morte de alguém muito doente, com 76 anos de idade. Porém, tudo parecia indicar que aquele homem franzino, com diagnóstico de esclerose lateral amiotrófica, uma doença degenerativa, com data marcada para morrer desde os 21 anos de idade, jamais morreria.

Hawking foi um cientista fenomenal, um gênio da contemporaneidade, um pesquisador que tratou de temas complexos como a teoria da singularidade espaço-tempo e seus estudos sobre os buracos negros, demonstrando a impossibilidade da existência de vazios absolutos no universo. A contribuição do cientista – nascido na data de aniversário da morte de Galileu, e morto na data de nascimento de Albert Einstein -, para milhões de pesquisas e pesquisadores ao redor do mundo, tem uma importância incalculável. Porém, neste breve texto sobre esse gênio da atualidade, quero abordar dois pontos importantes de sua trajetória: a sua capacidade de superação e a força de sua beleza interior.

Em uma de suas mais famosas frases, Stephen Hawking disse o seguinte: “Olhe para as estrelas, não para os seus pés”. Parece que ele baseou a sua vida, de fato, nesse entendimento. Hawking tinha tudo para se “fechar em copas”, não querer saber de mais nada e ficar esperando a morte chegar. Mas não, ele preferiu olhar para o alto, descobrir outros mundos, novas oportunidades, uma nova forma de viver. E viveu muito, de bem com a vida, demonstrando um bom humor invejável a todos nós. O cientista mais conhecido no mundo na atualidade, dizia não ter medo da morte, porém afirmava que não tinha a menor pressa de morrer. Vivendo sob o espectro da morte, por 49 anos, Hawking “transformou o limão em limonada” e inspirou pessoas em todo o mundo. Para ele, “A vida seria trágica, se não fosse engraçada”.

Outro ponto importante da vida do cientista foi a sua despreocupação com a aparência física. É sabido que a sua doença vai, aos poucos, deformando músculos, alterando a postura e a fisionomia. Isso, para ele, não significava absolutamente nada. Após a descoberta da doença, adquiriu, cada vez mais, informações e conhecimento, tornando-se professor na escola em que estudou. Transformou-se em um palestrante brilhante, não obstante a dificuldade de comunicação com o seu público. De forma inovadora, ele criou e compartilhou conhecimentos, expondo todas as suas mazelas, as suas limitações, o que parecia não incomodar a ninguém, haja vista o brilho de sua luz interior. Hawking era uma pessoa de bem com a vida e consigo mesmo.

Stephen Hawking deixa-nos um legado de muitos matizes. Deixa-nos o conhecimento científico, a importância da curiosidade, a possibilidade de superação de problemas, a importância da inovação e a maravilha de viver cada minuto como se fosse o último de uma vida.

A vida e a trajetória desse brilhante cientista é o mais eloquente exemplo para todos aqueles que se deixam abater pelas vicissitudes da existência, pelas dificuldades cotidianas que enfrentam na incessante “luta pela vida” e desistem, entregando-se à auto piedade e autocomiseração, num profundo desperdício de energia vital. Casou-se, por duas vezes, teve filhos, trabalhou, inovou, superou-se! Mesmo quando tudo parecia indicar que estaria fadado a uma existência curta, dolorosa, deformante e limitadora.

Hawking deixa um legado esplendoroso, não só para a Ciência, mas para o ser humano em si mesmo, como a prova viva de que o Homem é dotado de todos os elementos necessários para tornar-se a “Glória da Criação”, e só pode ser limitado pelas próprias amarras que ele mesmo se impõe!
“Não deve haver limites para o esforço humano. Somos todos diferentes. Por pior do que a vida possa parecer, sempre há algo que podemos fazer em que podemos obter sucesso. Enquanto houver vida, haverá esperança”.

Como um raio de luz, Stephen Hawking riscou o céu, rumo ao infinito.

* Eugênio Maria Gomes é professor e escritor. Pró-reitor da Unec, membro do Lions Itaúna, da Loja Maçônica Obreiros de Caratinga e do MAC – Movimento Amigos de Caratinga. Membro das Academias de Letras de Caratinga e Teófilo Otoni e presidente da AMLM – Academia Maçônica do Leste de Minas.


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Texto de autoria de Eugênio Maria Gomes, publicado no jornal DIÁRIO DE CARATINGA,  em 4/3/2018.

Eu já estava com dois temas definidos para abordar – escolheria entre um ou outro -, esta semana. O primeiro seria sobre a intervenção federal na área de segurança do Estado do Rio de Janeiro e, o segundo, sobre o absurdo que tem sido os mandados de soltura emitidos por determinado Magistrado do STF. De repetente, abortei os dois temas… Seria fazer “chover no molhado”. Estes e outros acontecimentos esquisitos têm ocorrido no Brasil, exclusivamente, por conta da ignorância que acomete a maior parte da população brasileira. Não se vê nada parecido em outras democracias compostas por um povo educado.

Continuamos ostentando um dos piores índices educacionais do mundo entre os países de desenvolvimento mediano. São milhões de analfabetos, outros milhões de analfabetos funcionais e com a maioria de nós sem ter capacidade de enxergar o país como uma nação, a ponto de elegermos um congresso nacional, cujos membros dispensam maiores comentários.

É a boa Educação a responsável por permitir ao homem tornar-se, de fato, um cidadão. E o verdadeiro cidadão não aceita a fome, não convive com a miséria, não admite a insegurança, não se submete aos péssimos cuidados com a sua saúde. O verdadeiro cidadão não convive com a corrupção desenfreada, com as absurdas mordomias dos que comandam e ajudam a comandar o país, não tolera resposta simples para problemas complexos… O verdadeiro cidadão não aceita ser, apenas, parte de estatísticas, mas, pelo contrário, faz questão de ser sujeito ativo das mudanças que se impõem para que ele alcance a plenitude de sua capacidade e de sua felicidade.

A boa educação começa com um ensino formal de qualidade. È na Escola, principalmente nos primeiros anos, que somos dotados dos instrumentos necessários ao desenvolvimento de nossas capacidades intelectuais. No entanto, o que vemos na escola brasileira, em geral, e na escola pública, em especial, são professores mal remunerados, mal formados em sua maioria, desmotivados e incapazes de fazer desenvolver competências nos alunos. Vemos alunos que concluem o ensino médio sem conhecimentos básicos das disciplinas acadêmicas, sem raciocínio lógico elementar, sem noções básicas da história do país e sem qualquer interesse na construção de sua própria história.

Sem conhecimento, sem uma boa educação, grande parte dos cidadãos brasileiros não consegue entender ou vivenciar a complexidade de sua existência. Não consegue entender o seu papel como construtor e beneficiário de uma nação próspera e feliz. Não consegue entender o seu papel no mundo… A falta de conhecimento faz com que boa parte dos brasileiros passe pela vida, sem viver, perdidos na mediocridade imposta a todos pelas elites emburrecidas que nos governam.

Sim, a nossa ignorância, de certo, interessa aos que elegemos para nos conduzir, porque é a ignorância que cega completamente o indivíduo e o faz permitir ser tratado como um incapaz, inapto a ser o sujeito ativo de seu próprio destino e do destino de seu país, e assim, eternamente dependente do “Coronel”, figura mítica da História Brasileira, que hoje atende pelo nome de Prefeito, Governador…

É a ignorância que faz com que o indivíduo aceite a exploração cruel de seu trabalho pelo capitalismo anacrônico e antiquado, que domina grande parte das relações de trabalho, em nosso país. É por causa da ignorância e da incapacidade de perceber a exploração a que está submetido, que tolera salários baixíssimos, condições desumanas, abusos e assédios por parte dos donos do dinheiro.

Uma nação composta por cidadãos, efetivamente educados, jamais toleraria uma pequena parcela de todas as mazelas que sofremos e que foram escancaradas pela mídia nos últimos anos. A educação formal, aliada à boa cultura e ao pensamento racional, dota o indivíduo de meios e modos de não se deixar iludir por falsas promessas eleitorais. Impede que o indivíduo se deixe seduzir por “salvadores da pátria” ou por frases de efeito, ou por retóricas de palanque. Inibe o domínio religioso imposto por clérigos mal-intencionados, preocupados apenas com a manutenção da dominação, ainda que travestida de salvação, porque se arvoram senhores do Perdão e detentores das chaves do paraíso.

O indivíduo verdadeiramente bem-educado é capaz de distinguir privilégios de prerrogativas. Admite certas prerrogativas, porque entende que o exercício da função pública traduz-se em uma importantíssima e nobre função social. Mas é implacável na crítica e na negação dos privilégios, porque percebe que são atentatórios ao mais elementar conceito republicano: o de que todos são iguais perante a lei!

O Indivíduo, verdadeiramente bem-educado, tem total consciência de que os serviços públicos que lhe são oferecidos não são benesses concedidas por mera liberalidade do governante, mas, sim, direitos concretos para os quais ele contribui efetivamente com os impostos que paga, e, assim, sente-se confortável e seguro na hora de exigir que esses serviços sejam eficientes, seguros e de qualidade.

É a ignorância, intencionalmente moldada por uma elite política, ávida na manutenção de seu domínio, e voluntariamente perpetuada por uma elite econômica, ávida em garantir o lucro fácil e indecente, que explica nosso quadro atual na Política, na Música, na TV e em praticamente em todos os setores da sociedade brasileira, e está nos conduzindo, feito gado manso, ao fundamentalismo, ao sectarismo, ao radicalismo, ao racismo e à ditadura das maiorias obscurantistas e provincianas, caminho rápido para a autodestruição e para a degradação social, como já antes visto na História…

Uma Nação, composta por pessoas bem-educadas, jamais toleraria ver seu país afundando no mar de lama da corrupção generalizada, da insegurança, da miséria, da doença e da mediocridade generalizada que, infelizmente, fincaram pé e criaram raízes nesta terra tão bela, tão abençoada e tão espoliada, chamada Brasil!

“O povo foge da ignorância, apesar de viver tão perto dela. E sonham com melhores tempos idos, mas contemplam essa vida numa cela!. Vêem toda essa engrenagem, mas não percebem a ferrugem a lhe comer…” (Zé Ramalho).

* Eugênio Maria Gomes é professor e escritor. Pró-reitor da Unec, membro do Lions Itaúna, da Loja Maçônica Obreiros de Caratinga e do MAC – Movimento Amigos de Caratinga. Membro das Academias de Letras de Caratinga e Teófilo Otoni e presidente da AMLM – Academia Maçônica do Leste de Minas.