natal-e-ano-novo.jpg

Texto publicado no jornal DIÁRIO DE CARATINGA, EM 22/12/18

Chegamos ao final de 2018. Foi um ano difícil? Foi. Pesado? Bastante. Mas, também foi um ano de grandes oportunidades de aprendizado e de crescimento. Agora, é olhar para frente, fazer o nosso melhor, para que 2019 seja um ano mais leve, mais fácil de viver e que, também, chegue abrindo portas e janelas para muitas e boas oportunidades. No mais, deixo aqui os melhores desejos de coisas boas para você no próximo ano, em um simples e pequeno poema:

Que você ganhe aquele abraço esperado,

quem sabe um beijo molhado

e tenha noites de afago.

Que você ganhe muito dinheiro,

talvez tome um banho de cheiro,

e conheça o Rio, em janeiro.

Que dos seus lábios brotem sorrisos,

que deles não saiam gemidos,

que não sejam os redimidos.

Que suas noites sejam quentes

sem calor, porém ardentes,

com cobertores de orelhas e dentes.

Que você faça uma bela viagem,

se quiser faça até balaiagem

e se entregue à sã vadiagem.

Que você tenha muita saúde,

coragem pra mudar de atitude

e de viver em plenitude;

Que mantenhas acesos os sonhos,

que seus olhos sejam sempre risonhos,

para estrelas de muitos tamanhos.

Que você viva um grande amor,

que não tenha qualquer dissabor

e enfrente tudo com mui destemor.

Que o seu passo seja firme e forte,

que a paz seja sempre o seu norte,

que sua luz a todos conforte.

Que sempre haja espaço em sua alma,

para aquele momento de calma,

que reflete e a todos acalma.

Não temas, siga sempre adiante,

como água de rio escaldante,

renovada a cada instante.

Jogue fora os ressentimentos,

reviva os melhores momentos e

deixe fluir só os bons sentimentos.

Por fim, meu coração é quem diz,

seja sempre um eterno aprendiz,

conte estrelas e seja feliz!

  • Eugênio Maria Gomes é professor e escritor.

Sem-título.png

Texto publicado no jornal DIÁRIO DE CARATINGA em 9/12/18

Na última sexta-feira (7) tive a alegria de participar da Santa Missa em agradecimento aos sessenta anos de sacerdócio do querido Monsenhor Raul Motta de Oliveira. Celebrada por ele e concelebrada pelos padres Borelli e Moacyr, a Eucaristia contou com a participação de inúmeros fieis e amigos, os quais participaram, em seguida, de um gostoso café, na Casa Paroquial.

Participando deste momento ímpar, de uma vida totalmente dedicada ao outro e a Deus, não pude deixar de lembrar de todas as emoções registradas por ele, sobre a sua Ordenação, as quais, juntamente com muitas outras histórias, eu pude transformar em livro, em 2014. Assim, registro abaixo, os principais detalhes daquele grandioso dia, ocorrido há sessenta anos.

Alguns dias antes da cerimônia, Padre Othon mandou imprimir um panfleto, convocando toda a população para as atividades que seriam desenvolvidas antes, durante e após a Ordenação Sacerdotal do seminarista Raul. Ele estava feliz, muito entusiasmado com o acontecimento, já que os primeiros passos do novo sacerdote foram dados no Pré-Seminário que ele criara em Inhapim.

No dia 7 de dezembro de 1958, Raul acordou às 6h30m. Cônscio do longo dia que teria pela frente rezou todo o Breviário e o Terço. Fez companhia para os parentes, recebeu algumas visitas e conversou com José Guilherme e Nazira, indo almoçar às 11h30m. Em seguida, foi para o seu quarto e iniciou a organização de tudo o que utilizaria durante a ordenação.

Às 15h00m horas se dirigiu para a casa paroquial e pode perceber a multidão que aguardava o início da solenidade, felizes por verem surgir mais um padre, especialmente um filho de Inhapim. Paramentou-se e, às 15h30m, saiu da casa paroquial, em procissão. À frente estava Dom Corrêa, sob o Pálio, que era conduzido por autoridades. O Senhor Bispo foi precedido pelo Clero e pelos seminaristas, com destino à Igreja Matriz.

Raul estava muito feliz, principalmente por ver sua mãe, Maria José Motta, a “Maria do Bentoca”, mulher que já passara por muitas lutas, por muito sofrimento, ainda vestida de preto, mas com um leve sorriso nos lábios, acompanhando a procissão que o levava à Ordenação Sacerdotal.

Com a igreja completamente tomada pelos fiéis, Dom Corrêa abençoou e entregou as batinas aos seminaristas da diocese de Caratinga que estavam concluindo o curso de Humanidades em Mariana: Geraldo Xavier, Humberto Borelli, João Teixeira do Rosário, Léssio Guedes e Rui Figueiredo Neves.

Às 16h00m, com a presença de Monsenhor José Paulo, Padre Othon, Padre Artur Nunes, Frei Carlos, Frei Arcanjo, Padre Ramon, Padre Cândido, Padre José do Carmo, Padre Odilon, Padre Jésus, Padre Rino, Padre Francisco Xavier e Padre Geraldo Faria, Dom Corrêa deu início à cerimônia de Ordenação Sacerdotal do Diácono Raul.

Uma linda cerimônia, que levou o futuro padre a refletir em seu coração, no momento em que o senhor bispo lhe impôs as mãos e, a seguir, proferiu a Oração Consecratória. E Raul rezou: “Meu Deus, sou outro Cristo, vosso sacerdote. Apesar de meu nada, Nosso Senhor há de ouvir tantas orações e preces, que incessantes lhes sobem até o coração. Há de abençoar o meu sacerdócio. E vós, ó Virgem Santíssima sou todo vosso. Sou vosso escravo. Fazei-me um Sacerdote Mariano!”

Após a unção das mãos, Raul se dirigiu à Sacristia, lá encontrando a sua querida mãe. Abençoou-a e foi abençoado por ela, estendendo-lhe as mãos para que fossem desamarradas. Em seguida, as lavou e retornou para a continuidade da cerimônia.

O Padre Raul Motta de Oliveira concelebrou com Dom Corrêa a sua primeira Missa, durante a ordenação. Recebeu dele, oralmente, a jurisdição para realizar confissões e, mais tarde, no banquete, recebeu todas as outras faculdades que são dadas aos Vigários Coadjutores. Apesar de o “Beija mão” oficial, estar agendado para o dia seguinte, ele deu a mão a beijar a várias pessoas. Rezou mais um pouco, trocou a batina e se dirigiu para o Grupo Escolar Antônio Carlos, para o banquete.

No Grupo Escolar Antônio Carlos, um belo banquete foi preparado, com oitenta talheres. Entre os convidados, muitas autoridades, inclusive o prefeito de Caratinga na época, Dr. Maninho. Dr. Altair Chagas fez a saudação a Dom Corrêa e o professor Otávio Dias de Souza saudou e entregou um cálice de prata, como presente, ao Padre Raul. Em nome do Clero, falou o padre José Jesus e o Brinde de Honra à Sua Santidade o Papa João XXIII foi feito pelo Monsenhor José Paulo de Araújo, Pároco de Simonésia. O banquete foi alegrado pela música apresentada por um grupo local, organizado pelo maestro Zito Chagas.

Assim foi o dia 7 de dezembro de 1958, deste homem abençoado, paciente e sorridente, batizado com o nome de Raul Motta de Oliveira. O filho de Maria! O filho de D. Maria e do Bentoca! Uma bênção em nossas vidas, na vida da comunidade e na vida da Igreja. Parabéns querido Pastor!

*Eugênio Maria Gomes é professor e escritor.