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Texto publicado no DIÁRIO DE CARATINGA, em 26/05/2019

Lembro-me perfeitamente do dia em que minha família comprou a primeira Televisão. Foi uma festa. Para o novo aparelho, tínhamos reservado um lugar de honra na sala. Após a instalação, todos nos reunimos em frente à tela, ainda em preto e branco, e passamos parte da noite assistindo, com certo espanto, às imagens que se sucediam.

Em um primeiro momento, o novo aparelho trouxe informação, pois assistíamos aos jornais todas as noites, diversão e entretenimento. Com o passar do tempo, no entanto, percebi que algo mudara na dinâmica noturna da família. Já não jantávamos mais à mesa, porém, ainda conversávamos na varanda. Já não contávamos mais casos, ou relatávamos ocorrências divertidas que vivêramos durante o dia. Jantávamos assistindo à TV, sem conversas, vendo o jornal. Depois, a conversa de varanda deu lugar à novela das nove, e mais uma vez, a família estava reunida, porém, já não era como antes. A TV nos roubara parte da interação familiar…

Lembro-me também do advento e da popularização do telefone fixo. Como era bom poder falar com as pessoas sem sair de casa. Falar com parentes distantes. Avisar ao patrão que chegaria atrasado. Que maravilha tecnológica! Mas, aos poucos, percebi que já não visitava meus amigos tão frequentemente. Preferia telefonar. Percebi também que as conversas eram mais curtas, e que muitas coisas não eram ditas ao telefone. Não era a mesma coisa que estar ao lado de nossos amigos ou parentes. Sentir, de fato, a presença deles.

No entanto, a antiga televisão em preto e branco e o antiquado telefone fixo, nem de longe se comparam ao fenômeno que vivemos nesse início de século.

Não se trata de saudosismo romântico, ou de negação da importância ou da praticidade que as novas tecnologias propiciam a todos nós. Trata-se de analisar os malefícios que a utilização desmedida dos aplicativos de comunicação, como o “whatsapp”, e de mídias sociais como o “facebook” podem nos causar.

Dia desses, ao visitar familiares, em dado momento, fiquei constrangido. A certa altura da noite, os parentes estavam todos, simultaneamente, ao celular, checando e respondendo suas mensagens no aplicativo. Permaneciam como que hipnotizados, absorvidos naquele universo virtual. Eu, por longos minutos, fui esquecido…

Fui substituído por outros “amigos” que estavam distantes, mas que naquele momento, pareciam merecer mais atenção do que o parente e amigo real, ali parado, em frente a eles. Eles pareceram perceber meu constrangimento, pois não pude deixar de falar a famosa frase: infelizmente, preciso ir. No que fui surpreendido com a resposta: tudo bem primo vamos fazer uma foto do nosso encontro para o “facebook”.

E instantaneamente, todos nós estávamos com a aquela cara de felicidade artificial que as pessoas insistem em fazer e postar na mídia social apenas para mostrar como são felizes, como são bonitas, como estão bem, como…. Enfim…. Uma grande mentira, na maioria das vezes.

Não percebemos os prejuízos que o mundo virtual está causando para as relações do mundo real. Aquelas que de fato interessam, aquelas que de fato são importantes para nós e para nossas vidas.

O brasileiro é o povo que mais gasta tempo com a internet. Pasmem, mais que os americanos! Calcula-se que somente no whatsapp sejam cerca de duzentos minutos por dia. Duzentos minutos! Mais de três horas do dia desperdiçadas. Sim, desperdiçadas! Se você perceber, a maior parte deste tempo é gasto para ler as incontáveis mensagens de “bom dia” dos famosos grupos; ou para ler as incontáveis frases e “posts” de auto-ajuda; ou para ver os vídeos de mau gosto, ou para ler “fakenews” ou para piadas de baixo nível… Muito pouca coisa realmente útil e necessária ocorre no whatsapp…

O mesmo ocorre com as mídias sociais. Terra de Ninguém, Mundo Paralelo, Mundo Artificial. Estas são algumas alcunhas que podemos dar a elas. Inicialmente, uma ferramenta de interação, de ampliação do círculo de amizades, um lugar que reúne mais de um bilhão de pessoas, o facebook transformou-se em uma fonte de problemas e de doenças.

Recentes estudos estão mostrando que o uso freqüente e desmedido do Facebook é capaz de produzir alterações físicas no cérebro. Quando estamos nele, ficamos mais impulsivos, mais narcisistas, mais desatentos e menos preocupados com os sentimentos dos outros. E, quase que invariavelmente, mais infelizes. Isto porque a realidade ali mostrada não é a verdadeira. Não estamos sempre lindos, felizes e cheios de bens materiais como parece ocorrer naquele espaço virtual. Ver seus amigos na praia, à beira da piscina, ou tomando uma cerveja gelada enquanto você se encontra à frente de uma mesa de trabalho cheia de tarefas a fazer é algo que inevitavelmente o levará à depressão…

Até porque, no facebook, não é mostrado o quanto aqueles amigos tiveram que trabalhar para, naquele momento, estarem de férias, ou viajando pela Europa…

Muitas das postagens despertam sentimentos negativos, propiciam uma quase inevitável comparação. Quanto mais “amigos” mais estresse para poder acompanhar as centenas, ou milhares de postagens diárias. Sem perceber, você passa a sentir necessidade de “curtir” as postagens infindáveis. Por outro lado, seu cérebro sucumbe ao clássico condicionamento pavloviano – “um processo que descreve a gênese e a modificação de alguns comportamentos com base nos efeitos do binômio estímulo-resposta sobre o sistema nervoso central dos seres vivos”, ou seja, você passa a sentir necessidade de “ser curtido” e quanto menos “curtidas” mais estresse, e assim, você passa a ser escravizado por aquela “realidade” absolutamente artificial.

A sabedoria reside na Temperança, na moderação, a sobriedade e na discrição.

Avanços tecnológicos, inicialmente criados para potencializar a comunicação e ampliar a interação entre as pessoas, quando mal utilizados, podem produzir efeito diametralmente oposto. Afastar-nos de quem realmente amamos. Empobrecer nossas conversas. Reduzir nossas emoções, a mais eloquente forma de caracterização de Humanidade, em simplórios emojis…

Temos que tomar cuidado para não nos tornarmos prisioneiros da nossa liberdade, escravos de nossas livres escolhas. Então, precisamos urgentemente, retomar as rédeas de nossa rotina e repensar nossas opções. Sermos novamente livres, ou nos tornarmos, definitivamente, prisioneiros de um mundo irreal.

“Somos livres para escolher nossas ações, mas somos prisioneiros de suas consequências. Seja qual for sua escolha, lembre-se que o futuro é bem próximo e nada fica sem resposta.”

• Professor e Pró-reitor de Pesquisa, Pós-graduação e Extensão do Unec, diretor geral da Unec TV, membro da ALB – Academia de Letras do Brasil -, da AMLM – Academia Maçônica de Letras do Leste de Minas -, da ALTO – Academia de Letras de Teófilo Otoni e Presidente da ACL – Academia Caratinguense de Letras. Membro do MAC- Movimento Amigos de Caratinga e do Lions Caratinga Itaúna. É o Grande Secretario de Educação e Cultura do GOB-MG.


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Texto publicado no DIÁRIO DE CARATINGA, em 12/05/2019
Esta semana, em uma conversa com o vereador Denis Gutemberg, ouvi dele a frase que dá título ao presente texto. Conversávamos sobre as próximas eleições municipais e sobre possíveis composições de chapa, quando ele falou sobre a “maldição” que, parece, acaba recaindo sobre a figura do vice, na maioria das chapas majoritárias.

O vice, normalmente é muito festejado durante as eleições, mas, imediatamente após a solenidade de posse, passa a ser considerado como aquele que está sempre articulando e conspirando, como se estivesse ávido pela tomada do poder. Isto pode ser comprovado, de maneira especial, com os que ocupam os cargos de vice-prefeito e vice-presidente da república.

Em Caratinga, por exemplo, há pelo menos 20 anos, os ponteiros do prefeito e do vice não permanecem em sintonia por muito tempo seguido. Todos eles, neste período, assumiram cumulativamente, a função de secretário municipal, passando, então, a lidar diretamente com o munícipe – há pouco tempo seu eleitor – ganhando, conseqüentemente, a pecha de estar fazendo política com o cargo.

Sinceramente, não consigo entender o porquê oferecer uma secretaria municipal ao vice-prefeito, quando o seu maior objetivo deveria ser o de ajudar o prefeito a governar e, inclusive, substituí-lo em casos de ausência. O vice-prefeito deveria ter um gabinete de vice-prefeito, ajudar o prefeito na efetivação das promessas feitas em campanha, melhorar o atendimento ao cidadão e ser solidário com a boa administração. O município ganharia muito mais se a chapa majoritária permanecesse unida em prol da boa Política e do bom governo, se o prefeito parasse de achar que todo vice fica conspirando e se o vice parasse de achar que todo prefeito o quer distante do poder central do município.

Em Brasília, recentemente, vimos uma verdadeira articulação do vice para derrubar o presidente, culminada com o impeachment da presidente Dilma e da subida ao poder de seu vice, Michel Temer.

Já nos tempos atuais, está claro o desconforto existente entre o presidente Jair Bolsonaro e o seu vice, Hamilton Mourão. Muito mais preparado, mais bem formado e extremamente bem articulado, o general Mourão sofre os ataques dos militantes adeptos do capitão Jair Bolsonaro, de maneira especial de seus filhos, assíduos usuários das redes sociais para mandar os recados de seu pai.

Recentemente, o vice e alguns militares têm sido atacados, também, por Olavo de Carvalho, astrólogo, filósofo amador e educador “mal educado” da ultra-direita, especializado em conversar fiado através das redes sociais, cuja falta de sensibilidade e profundo desprezo pela dor alheia, atingiu seu ápice ao referir-se ao estado de saúde de um dos mais importantes militares do exército brasileiro, o general Eduardo Villas Boas. O fato é que oito dos 38 presidentes que o Brasil teve ao longo de sua história republicana foram vices que assumiram o cargo: Floriano Peixoto, Nilo Peçanha, Delfim Moreira, Café Filho, João Goulart, José Sarney, Itamar Franco e Michel Temer.

Obviamente, a maioria deles chegou ao poder pela morte, renuncia ou impedimento do titular, porém, de qualquer sorte, saber que há alguém sempre pronto a assumir seu lugar, parece incomodar profundamente os chefes do executivo no Brasil. Talvez, pela profunda e espúria relação política que permeia as relações pouco republicanas mantidas entre essas autoridades e os grupos e “arranjos” que os apóiam. Talvez, apenas pela simples vaidade pessoal e profundo apego ao exercício solitário e egoísta do Poder.

De todos os vices da era republicana, talvez, Marco Maciel possa ostentar o título de vice perfeito. Intelectualmente preparado, sabia pensar o Estado – ainda que Fernando Henrique tivesse seu próprio desenho. Também era bem articulado no Congresso e descascou muitos abacaxis para Fernando Henrique na relação com o Congresso. Extremamente discreto, nunca criou qualquer problema para o Presidente, sempre colaborando e portando-se de forma sutil e opaca.

Para o nosso atual Presidente, no entanto, nem mesmo Marco Maciel estaria livre de ataques ou não seria acusado de traidor. Para se livrar da pecha de ameaçar o Presidente, seria necessário alguém que não fosse capaz de articular corretamente uma frase completa em língua portuguesa, ou que desconhecesse totalmente todo e qualquer assunto, e que só emitisse opiniões baseadas em “achismos” e pontos de vista equivocados e arcaicos. Tarefa difícil encontrar tal vice…

Enquanto isso, nós teremos que conviver com um governo que conseguiu a façanha de não precisar de Oposição. Dentro dele mesmo, já há Oposição suficiente… Portanto, provavelmente nosso Presidente continuará atormentado pela presença ameaçadora de seu vice, esgueirando-se nos labirintos do Palácio do Planalto e sussurrando sarcasticamente: “O rei está morto! Viva o novo Rei!”

• Professor e Pró-reitor de Pesquisa, Pós-graduação e Extensão do Unec, diretor geral da Unec TV, membro da ALB – Academia de Letras do Brasil -, da AMLM – Academia Maçônica de Letras do Leste de Minas -, da ALTO – Academia de Letras de Teófilo Otoni e Presidente da ACL – Academia Caratinguense de Letras. Membro do MAC- Movimento Amigos de Caratinga – e do Lions Caratinga Itaúna. É o Grande Secretario de Educação e Cultura do GOB-MG.


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Texto publicado no DIÁRIO DE CARATINGA, em 05/05/2019
Fernando Pessoa, nosso querido poeta português, considerado um dos maiores poetas da literatura universal, nos brindou com versos como “Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que eu quero dizer-te é que te amo?”

Ah! O amor … Como nos consome, como nos magoa, mas, também, como nos enobrece, nos alegra … Ah! Como o amor nos inspira e nos faz felizes!

Amar é tão bom, tão fundamental, que inspirou Pablo Neruda a escrever os versos “Saberás que não te amo e que te amo posto que de dois modos é a vida, a palavra é uma asa do silêncio, o fogo tem uma metade de frio. Eu te amo para começar a amar-te, para recomeçar o infinito e para não deixar de amar-te nunca: por isso não te amo ainda. Te amo e não te amo como se tivesse em minhas mãos as chaves da fortuna e um incerto destino desafortunado…”.

E este grande poeta castelhano termina o poema com uma estrofe que faz tremer todo coração apaixonado: “… Meu amor tem duas vidas para amar-te. Por isso te amo quando não te amo e por isso te amo quando te amo.”

Ah! Não tenha vergonha de amar, muito menos de expressar esse sentimento tão nobre. O amor rejuvenesce, melhora a energia, ilumina o semblante, elimina mágoas, faz bem ao corpo e alimenta a alma.

Ame, ame muito. Ame como se fosse morrer hoje, como se não pudesse existir o minuto seguinte para respirar, como se os seus sonhos fossem se dissipar em uma nuvem de algodão… Assim o fazendo, é bem provável que você viva muito e que, em vez de sonhos, a realidade o presenteie com momentos marcantes, eternos.

O amor é o tema central do livro sagrado dos cristãos. Cantado e decantado através das penas de seus autores, ganhou na voz de Renato Russo uma versão que mostra toda a sua importância: “Ainda que eu falasse a língua dos homens, e falasse a língua dos anjos, sem amor, eu nada seria”. A Carta de São Paulo, que inspirou essa bela musica, é encerrada com uma afirmativa contundente: “De tudo restam três coisas, a Fé, a Esperança e o Amor. Mas, o mais importante é o Amor”.
Claro, não poderia encerrar este texto, sem citar o poeta inglês, William Shakespeare, o mais influente dramaturgo do mundo: “Duvida da luz dos astros, de que o sol tenha calor, duvida até da verdade, mas confia no meu amor”.

Ame! Ame sem medo, ame sem medida, ame mesmo sem ser correspondido. Se for preciso, chore, reclame, confie, desconfie, reconcilie, mas, jamais desista de viver a emoção que o amor é capaz de proporcionar!

• Eugênio Maria Gomes é professor e escritor. Membro da ALB- Academia de Letras do Brasil -, da Alto – Academia de Letras de Teófilo Otoni -, da AMLM – Academia Maçônica de Letras do Leste de Minas – e presidente da ACL – Academia Caratinguense de Letras do Leste de Minas. É Pró-reitor e professor do Unec, membro da Lions Clube Caratinga Itaúna, do MAC – Movimento Amigos de Caratinga – e da Loja Maçônica Obreiros de Caratinga. É o Grande Secretário de Educação e Cultura do GOB-MG.