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De acordo com o dicionário da Língua Portuguesa, a palavra “Companheirismo” pode ser definida como “convívio cordial e amistoso”. Enquanto conceito, o termo significa a aproximação de duas ou mais pessoas, a partir de determinados princípios, tais como a aceitação, o respeito, a lealdade e a cordialidade.
Agir com Companheirismo é essencial para o bom resultado das relações sociais, familiares e trabalhistas, assim como é fundamental para a saúde de um clube de serviços, alicerçado neste conceito.

Antes mesmo de iniciar a sua participação como membro de um clube de serviços, o futuro membro costuma passar por um processo intitulado “Doutrinação”, que nada mais é do que o compartilhamento de valores, crenças, ideais, objetivos e disciplina que devem ser seguidos pelos membros do Clube. Normalmente, neste encontro, o postulante a membro do clube toma conhecimento de que atuará através do Companheirismo.
Pois bem, esse conceito é, de fato, predominante em praticamente tudo o que se faz na maioria dos clubes de serviços. Sendo muito comum, inclusive, que os membros se tratem reciprocamente como “Companheiros”. Acredito até que, ao elaborarem os objetivos, o código de ética e os propósitos dos clubes de serviços, seus idealizadores tenham levado em conta a difícil tarefa que é conviver com o outro.

Relacionamentos, quase sempre, são complicados. Mesmo que seus personagens consigam driblar as adversidades, intercalando bons e maus momentos, ocorrerão “picos” de satisfação e de insatisfação, capazes de provocar verdadeiros terremotos na convivência com os outros. Lidar com pessoas acaba por se tornar uma arte. Querendo ou não, gostando ou não, o Ser Humano tem, apenas, um caminho: RELACIONAMENTOS! Relacionamentos em todos os níveis e formas possíveis: no trabalho, na família, nos negócios, na amizade, no amor e, claro, relacionamentos sociais, inclusive como “Companheiros”, nos clubes de serviços.

.Não é por menos que a maioria dessas associações ao promoverem a possibilidade da livre discussão de todos os assuntos de interesse público, coloca como exceção a discussão relativa ao partidarismo político e o sectarismo religioso, que não devem ser debatidos por seus sócios.

O homem vive hoje a era da tecnologia, sob a égide dos relacionamentos virtuais. Ele tem mais amigos no Facebook, no Instagram e no WhatsApp do que na vida real. Conversa mais digitalmente do que pessoalmente. A maioria dos Clubes de Serviços criou o grupo virtual com seus sócios, os quais o incorporaram à sua já extensa lista de outros grupos sociais, profissionais e familiares. Ninguém mais dá conta de ver e, muito menos, de responder a tantas mensagens. No começo, tudo é novidade… Um bom dia aqui, outro ali, uma piada, um videozinho, nada que atrapalhe receber uma mensagem que realmente se refira ao clube, aos companheiros ou às atividades. Em pouco tempo, são dezenas de orações, outro tanto de “bom dia”, vídeos e mais vídeos, textos enormes sobre os mais diversos assuntos e, de repente, se abre o aplicativo e se percebe aquele número verde registrando 50, 80, 100 mensagens. Não dá mais para ler todas, por isso o usuário corre o dedo, tentando ver se há algo de interesse real e, claro, acaba perdendo aquela mensagem que realmente interessava.

Acontece que, intencionalmente ou não, o grupo de WhatsApp se tornou uma espécie de “extensão” dos clubes e de suas reuniões, só que com muito menos “controle” sobre a pouca atenção dos participantes, assim como das vezes em que extrapolam em suas postagens, em seus comentários, em seus posicionamentos. É preciso cuidado, bom senso, para que a tecnologia, que deveria ser usada positivamente para as atividades do clube, não se torne um empecilho ao fortalecimento do Companheirismo.

Dos quadros de sócios dos clubes de serviços, espalhados Brasil afora, já saíram prefeitos, vereadores, deputados, senadores e, até, presidentes. Cada um com sua ideologia política e filiados a partidos políticos diferentes. Os clubes são dirigidos por presidentes católicos, evangélicos, espíritas, judeus, budistas, ateus etc. Uma ocorrência comum, já que os membros dos clubes observam os instrumentos e as normas de conduta que sustentam suas atividades. Agora, no entanto, acende-se o sinal de alerta ao perceber-se certo perigo nos relacionamentos através das redes sociais. Há sim, alguns riscos e é preciso cuidado em relação a esta questão. Não existe unanimidade em todos os temas. Ninguém é obrigado a gostar do político X, ou do político Y. Como também ninguém é obrigado a ler ou ouvir críticas a algumas crenças, gostos ou opiniões pessoais.

A comunicação digital normalmente é mais fria e desprovida da empatia advinda do “olho no olho”. É comum alguns parecerem mais agressivos, outros demonstrarem positividade em excesso e, a maioria, parecer mais corajosa para abordar determinados assuntos. Não se deve deixar que essa “coragem” de expor algumas questões no grupo virtual faça com que se perca o verdadeiro sentido do Companheirismo no mundo real. Como já disse, querendo ou não, as redes sociais viraram meio que uma extensão do que a motivou a ser criada e, no assunto em epígrafe, uma extensão dos clubes de serviços.

É muito importante saber lidar com essa modalidade de comunicação que a tecnologia oferece. Além de utilizá-la para estimular o serviço desinteressado, para conscientizar os participantes quanto aos objetivos de seus clubes, para valorizar e reconhecer resultados e as ideias coletivas, também é preciso utilizá-la para estimular o respeito mútuo e a cortesia entre todos.

Eugênio Maria Gomes é funcionário da Funec e escritor.


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Texto publicado NO DIÁRIO DE CARATINGA, em 14/7/2019.

Há algum tempo, venho assimilando a ideia de que é possível viver melhor com menos. Não estou falando de passar dificuldades, nada disso, mas deixar de valorizar situações que não nos levam a nada, juntar coisas ou dar atenção demasiada a coisas de menor importância. Tenho conseguido. Há muito, parei de querer ter o “super carro”, nunca quis o celular “top dos tops”, deixei de colecionar os melhores relógios e canetas, deixei de ter inúmeros óculos para escolher um, passei a ter coisas mais duráveis e menos descartáveis.

Aliás, há muitos anos, tenho os mesmos móveis, reformo o mesmo sofá, deixei de entulhar minha casa com tudo o que via pela frente. Confesso, todavia, que em relação ao guarda-roupa ainda estou em processo de aprendizagem!

Outra questão que começo a trabalhar é com a superexposição da imagem. Não é uma tarefa fácil a ser cumprida, até porque, além de ser escritor, professor, palestrante, de ocupar um cargo importante na instituição em que trabalho, sou diretor de uma emissora e apresentador de programas de televisão, colunista de jornal, presidente de uma academia de letras e membro de ONG’s, clube de serviço, loja maçônica etc. Porém, resolvi navegar na onda de uma menor exposição da imagem. Também resolvi reduzir a quantidade de atividades…

Dirigi, em algum momento, todas as instituições das quais faço parte e, em cada uma delas, deixei projetos sustentáveis implantados e, sinceramente, até aqui, sempre achei que emprestava a elas a minha imagem, já consolidada por força do meu trabalho, da minha atuação literária e, claro, pela minha experiência de vida. Por isso, sempre fiz questão de registrar, no rodapé das minhas postagens, na minha biografia, no currículo, nas colunas dos jornais e nos livros as instituições às quais pertenço. É assim que acontece com vários outros irmãos, companheiros e amigos que ocupam algum cargo de destaque nas organizações.

Tenho dezenas de livros publicados, em várias editoras. A cada livro lançado, a cada projeto desenvolvido, o resultado é divulgado nas diversas mídias e não há como não ser citado ou chamado a me pronunciar a respeito. Além disso, os leitores me leem periodicamente no jornal e os telespectadores assistem a, no mínimo, três participações semanais em programas de televisão, sem falar nas matérias jornalísticas advindas das palestras que ministro e das ações costumeiras oriundas de minha atuação profissional. Mas, ainda assim, resolvi reduzir, paulatinamente, essa superexposição. Não por conta de conversinha fiada de invejosos e de gente que não tem o que fazer, até porque, numa cidade, como Caratinga, se você fizer alguma coisa os “sem serviço” comentam e, se você nada fizer, eles inventam.

Optei por uma tomada de atitude depois de pensar muito a respeito. Percebi que não faço questão alguma de ver minha imagem superexposta, mas me importo, sim, em divulgar ao máximo os projetos sociais, culturais e profissionais. Descobri, então, que é possível dar visibilidade aos projetos sem, necessariamente, aparecer.

Minha cabeça não para e, se não me policiar, crio um projeto ou invento alguma coisa todo dia. Acontece que, ao longo de todos esses anos, vez ou outra aparecem os comentários e os convites para participar politicamente da vida do município. É impressionante como não adianta dizer para as pessoas sobre meu desinteresse nisso. Muitos não acreditam e, alguns, continuam achando que desenvolvo projetos pensando em ganhos políticos. Talvez este seja, de fato, o ponto mais importante em reduzir a exposição da imagem. De fato, é possível continuar a trabalhar, a produzir, a ser solidário, sem, necessariamente ter que aparecer. Ademais, aos sessenta anos, já está na hora de começar um processo de reclusão, de descanso e de menos preocupações.

Na TV, já transferi a condução do quadro “Gestão em Ação” ao prof. José Carlos Moreira e, em breve, o prof. José Aylton de Mattos assumirá o “Crônicas do Cotidiano”. Quem sabe, daqui a pouco, apareça um entrevistador para o “Começo de Conversa”. Para mim, o mais importante, é que os programas continuem ativos. Até aqui já foram centenas de programas, desde que os implantei e sinto que são importantes fontes de informações sobre os diversos assuntos de que tratam.

No jornal DIÁRIO DE CARATINGA já passei a escrever quinzenalmente em lugar de publicar toda semana e já passei a mencionar, apenas, o meu nome e a minha condição de funcionário da Funec e escritor, algo que não pretendo abrir mão de ser, no momento. Até o fim do ano, completarei 500 textos publicados e, quem sabe, a partir de então, passe a publicar, apenas, esporadicamente.

Em relação aos livros, já são mais de quatro dezenas de obras autorais ou organizadas por mim. Também reduzirei o ritmo, passando a publicar os meus livros, apenas, uma vez por ano, sempre no mês de junho, tendo inclusive paralisado a série “Radiografias do Cotidiano”, em seu décimo volume. Quanto às obras coletivas, já transferi a organização do “Além da Palavra” para as professoras Paula Ribeiro e Cláudia Domiciano – colegas da Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-graduação e Extensão do Unec – e, em relação ao livro “Obreiro do Conhecimento”, certamente conseguirei um valoroso irmão para coordenar a sua publicação. Obviamente, em todas as obras, estarei à disposição para auxiliar no que for preciso e, inclusive, participarei como autor. Apenas não serei o organizador das mesmas.

Como professor, acabei de pendurar as chuteiras. Foram ótimos os anos trabalhando como docente no Centro Universitário de Caratinga, onde tive a oportunidade de ministrar as disciplinas “Gestão de Pessoas” e “Marketing”, na graduação e na pós-graduação. Como resultado, quatro volumes da obra “Fragmentos de Marketing”, duas edições do livro autoral “Marketing Simplificado” e duas edições do “Compêndio de Administração”; dezenas de publicações em jornais, revistas e TVs por conta das visitas técnicas, dos cases em sala de aula e dos inúmeros seminários; centenas de orientações de TCCs e, claro, grande aprendizado, profícua troca de experiência e muita alegria ao ver centenas de bons profissionais atuando no mercado de trabalho, aplicando os conhecimentos básicos dessas disciplinas. Meus sinceros agradecimentos à Fundação Educacional de Caratinga, de maneira muito especial ao professor Antônio Fonseca da Silva -, que me permitiu o acesso à docência no ensino superior. Deixo a sala de aula feliz, com a boa sensação do dever cumprido.

Por último, têm ainda as redes sociais. Meu Instagram – administrado por minha filha Morena – será desativado em agosto próximo e, minha página no facebook já entrou em ritmo de compartilhar, apenas, questões profissionais relevantes. Aos poucos será migrada para a fanpage “Gestão em Ação” e para o site, ambos administrados pela sra. Fabrícia Valadares. Preciso deles para manutenção das postagens das minhas palestras e das obras literárias, as quais não podem ser terceirizadas.

Enfim, doravante, minha imagem estará menos exposta, e minha vida, muito mais tranquila. Essa mudança de estilo não é apenas uma resposta às poucas críticas maledicentes de pessoas que gastam seu tempo e energia, preocupadas com uma pretensa superexposição, ou com uma pretensa intenção voluntária de obter autopromoção ou autorreconhecimento. Até porque, esses corações amargurados se esquecem que uma pessoa pública e imensamente ativa, que vive cercada por mentes de todos os tipos – inclusive as preguiçosas -, inevitavelmente, vai aparecer…

Essa mudança de estilo é fruto de uma opção. É resultado de maturidade e de sabedoria. Significa que, doravante, nos anos que ainda tenho à frente, darei prioridade àquilo que merece ser prioritário. Àquilo que me dá alegria, paz, prazer, harmonia e tranquilidade. Isto significa livrar-me de coisas, tarefas, compromissos, informações e pessoas que consomem hoje, uma parte enorme do meu tempo e de minha energia, e passar e me dedicar intensa e profundamente, apenas àquilo que verdadeiramente importa na minha vida.

“A vida é uma aprendizagem diária. Afasto-me do caos e sigo um simples pensamento: quanto mais simples, melhor!”. (José Saramago)

Eugênio Maria Gomes é funcionário da Funec e escritor.


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Uma das maiores crueldades que o ser humano pode praticar é o ato de julgar seu semelhante. A todo instante criticamos nossos companheiros de jornada por seu temperamento, seu modo de agir, de falar, de vestir-se. Censuramos sua cor da pele, sua etnia, sua classe social, sua religião ou sua fé, ou até a ausência delas. Condenamos sua orientação sexual, suas opções de vida, seus relacionamentos, seu modo diferente de ser. Insistimos em exigir e de forçar o outro a comportar-se segundo padrões que nos parecem corretos, adequados, aceitáveis, “normais”.

Esquecemos que, cada um dos bilhões de seres humanos viventes, tem toda uma história de vida, uma herança genética, um legado cultural, um passado que na maioria das vezes nos é desconhecido. Desconsideramos que cada um de nós lida de forma diferente com suas limitações, com suas virtudes e defeitos, com as dores do mundo, com o sofrimento natural que nos é imposto pela condição humana, pela solidão estrutural a que estamos condenados em decorrência da nossa profunda individualidade existencial.

Não é porque agimos, pensamos ou sentimos de determinada maneira que temos autoridade para impor aos demais um comportamento semelhante ao nosso. A única forma de convivermos em harmonia com os demais é aceitarmos as diferenças, tolerarmos a diversidade e celebrarmos o fato de que embora diferentes, todos somos iguais em essência, posto que estamos permanentemente unidos em nossa condição humana.

Vivemos em um momento de recrudescimento da intolerância, um momento de triste renascimento do ódio e da violência diante daquilo que nos parece diferente e, consequentemente, avaliamos ser errado. E, sendo então errado, deve ser recriminado, combatido e, algumas vezes, eliminado.

Entre os jovens, aumenta significativamente o número de suicídios e de automutilação. Atos de desespero de uma mente ainda em formação, incapaz de defender-se do Bullying praticado por seus colegas, em virtude do jeito que usa o cabelo, ou de sua aparência, seu modo de agir, da forma de seu corpo.

Entre parte daqueles que se autodenominam religiosos, renascem a intolerância e o ódio diante dos que professam sua Fé de forma diversa. Certos de que se encontram autorizados por Deus a impor sua crença e seus códigos de conduta, como verdades absolutas e sacramentadas pela falsa noção de povo eleito, desrespeitam a diversidade cultural e a diversidade de relações com o Divino e o Sagrado. No Rio de Janeiro, observa-se esse fenômeno pela invasão e destruição de templos de matriz afro-brasileira por integrantes do tráfico e das milícias, no seio das comunidades mais empobrecidas. Esses atos de violência estão dizimando as religiões de origem africana.

Entre os povos, ressurgem os atos de xenofobia. Constroem-se muros, erguem-se barricadas, limitam a possibilidade de imigração. Acusam-se os estrangeiros, muitos deles refugiados que fogem da fome e das guerras, de serem portadores de doenças, de terem maus vícios, de roubarem empregos. Apenas porque são diferentes…

A discriminação, a intolerância e o ódio pelo diferente estão na raiz do quadro de miséria que assola a maior parte da humanidade. Dois terços dos seres humanos ainda se encontram em condições subumanas de vida.

Mas é no campo individual que esses atos de profundo desamor causam prejuízos ainda mais profundos. Aquele que julga e que condena o outro está condenando a si mesmo a um permanente e profundo estado de sofrimento psíquico. Isto ocorre, porque o ato de julgar e de recriminar o outro é uma maneira pueril do julgador de tentar proteger-se a si mesmo, de salvaguardar sua estrutura psicológica da ameaça ilusória que o modo de ser do outro representa para ele. É uma insana tentativa de furtar-se à autopunição, punindo o outro. É uma forma de expiar o próprio pecado! De escapar da condenação, condenando o outro.

Uma das maiores fontes de sofrimento psicológico é justamente esse rigor excessivo, que nos é imposto por uma moralidade autoritária, e que nos compele a adotar comportamentos que não correspondem a nossa essência, e que nos obriga a “sermos o que não somos”, e então, incapazes de lidar com esse sofrimento, extravasamos nosso rancor e destilamos nossos recalques naqueles que ousam ser o que são, que se atrevem a questionar padrões, que têm a audácia de inovar, que têm o atrevimento de se comportar e de optar por modos de vida alternativos, enfim, que têm a coragem de existirem, do jeito e da forma que a criação os moldou.

Assim, todos nós temos que ter a humildade e a serenidade de nos voltarmos para dentro de nós mesmos, reconhecermos nossas imperfeições, olharmos para nossos vícios, nossos pecados, nossas fraquezas. Paramos de ser complacentes diante de nossas próprias imperfeições, submetermo-nos a nossa própria consciência e, assim, sermos então capazes de ter um olhar de profunda compaixão para com nossos semelhantes.

Essa é a lição que se pode extrair da Passagem da Adúltera: “Quem dentre vós que não tiver pecado, que atire a primeira pedra … Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós”.

Eugênio Maria Gomes é professor e escritor.