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” Vivemos um novo tempo? Ou retornamos as nossas origens, no que realmente somos? 
O substantivo feminino singular da língua portuguesa «pessoa» deriva etimologicamente da palavra latina persona, também, substantivo feminino singular. No uso corrente, pessoa significa indivíduo, “considerado em si mesmo, homem ou mulher, ser humano; personagem; individualidade ou, também, o homem em suas relações com o mundo ou consigo mesmo”. Em outra concepção, a palavra persona significa o mesmo que em grego seria traduzido como máscara.
Como estamos no momento atual de nossa civilização? Quais os efeitos dos novos (ou velhos tempos) em nossas vidas? Qual persona prevalece, qual “máscara”?
Analisar sobre o efeito do novo coronavírus nos remete a refletir sobre o mal estar na civilização. Para Freud se o desenvolvimento da civilização é semelhante ao do individuo, e se usa os mesmos meios, não teríamos o direito de diagnosticar que muitas civilizações, ou épocas culturais, e até mesmo a humanidade, se tornaram neuróticas sob a influência do seu esforço de civilização? Medo, isolamento, refúgio, traumas, culpa, resistência, repressão, regressão. Muitos adjetivos, conceitos e princípios psicanalíticos poderiam ser discutidos aqui. Por diferentes olhares poderíamos pensar e refletir sobre de que maneira caminha a humanidade. 
Mas me detenho a dialogar sobre um olhar mais objetivo e direto sobre alguns aspectos subjetivos de um comportamento social, peculiar, ou seja, a persona do sujeito que escreve, do sujeito que lê e daqueles que cochilam em meio à pandemia. Para Freud a civilização começa com a repressão, ele acrescenta que “nunca dominaremos completamente a natureza, e o nosso organismo corporal, pois ele mesmo parte desta natureza, permanecerá sempre como uma estrutura passageira, com limitada capacidade de realização e adaptação”. Pois bem, assim como agora a humanidade passou por momentos de profundas tragédias e momentos de desespero, dentre as várias situações, podemos citar a gripe espanhola com grande semelhança com o estado atual da humanidade. Então daí, deriva as perguntas: novos tempos, ou o retorno dos velhos tempos? O que mudou no passar dos anos, qual o efeito para essa nova geração? 
Arrisco-me a dizer, que é possível nos dividir em quatro grupos distintos de persona que vivenciam o “atual” da humanidade. Os que se enquadram nos grupos de Esquiva ao Dano, que tendem a inibição de um comportamento em respostas a sinais de punições ou frustrações. Esses procuram se proteger, evitar o contato, seguir aos princípios da preservação da vida, principalmente da sua vida. Demonstram pessimismo, medo, fragilidade e pouca energia, munem-se de alguns mecanismos como o deslocamento e transferência. 
O segundo grupo, penso, seria o da Busca por Novidades, comportamento exploratório frente às novidades. É impulsivo, busca a excitação, evita o isolamento. Sente-se empoderado , é irritável, extravagante. Diante do perigo, coloca-se sempre fora do grupo de risco, justifica-se ao pensar que o risco é especificamente para um pequeno grupo pelo qual não se encaixa. Assim, demonstra-se egoísta, provocador, perverso e com tendências antissociais. 
O terceiro grupo estaria ligado ao de Dependência por Gratificação, busca uma ação que lhe permite a manutenção de um comportamento em resposta a sinais de recompensa social. É sentimental, aberto, caloroso e afetuoso. Suas ações implicam em promover ações de partilha, de ajuda, de trabalho. No contexto atual, permanecem afastados, ou saindo porque tem que ganhar o pão. De certa forma buscam interagir e promover laços, como as campanhas de ajuda pelas redes sociais, “Live” entre outras ações. Nesse caso, objetiva-se sempre a recompensa.
Já o quarto grupo, diria ser o da Persistência, da Manutenção de um comportamento indiferente de frustração, indiferente a fadiga ou reforçadores intermitentes (gratificações). Sua característica mais comum é o empenho, determinação e certo grau de perfeccionismo. Esse é um grupo “seleto” os que nesse momento estão no campo de batalha, que mostram a cara (mas de máscara). 
Se para Freud a Civilização começa na repressão e se essa mesma civilização produz no sujeito a neurose, então é possível evidenciar nesses diferentes grupos, sujeitos e seus respectivos sintomas. Esse vírus ameaçador e invisível, paradoxalmente nos torna visível, transparecendo nossas características perversas, ou histéricas, paranoicos, em pânicos, abandonados, bipolares. Por outro lado nos permite depararmos com nossa humanidade, abandonar por determinado tempo o sentimento “narcísico”, em que, colocando a “máscara”, nos permite ver como iguais. Essa máscara permite de certa forma nos colocar no mesmo patamar, sem diferenças de credo, de cor, de condições sociais, no mesmo cenário. 
Bom, para terminar você pode me perguntar: então Marco Antonio, e agora o que farei com o que me tornei? Com o que sou? Eu te responderia evocando o filósofo Jean Paul Sartre: O que importa é o que você fará a partir de agora.”
autor Marco Antonio
fonte https://www.facebook.com/marcoantoniomag/posts/1525274904320957