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Esta Semana a minha campainha foi acionada no domingo, por um rapaz pedindo ajuda. Ele me disse que era pedreiro e que precisava de ajuda, que iria começar a trabalhar no dia seguinte e que me pagaria na sexta-feira. Perguntei-lhe que tipo de ajuda ele procurava e ele me respondeu que precisava de R$24,00. Questionado sobre o valor ele me disse que precisava comprar uma marmita térmica e um frango, já explicando que era apenas a marmita, pois o suporte ele tinha. Frango? Indaguei-lhe e, ele, com toda calma me disse: “sim, porque não tenho dinheiro pra comprar porco ou boi”.

Por mais estapafúrdia que me pareceu aquela resposta (como assim, o sujeito sem dinheiro, precisando comprar comida e fala em frango?), depois de alguns minutos de silêncio, daqueles em que passam um turbilhão de pensamentos em nossa mente, pedi que aguardasse e fui buscar o que pedia. Talvez ele volte na sexta-feira para fazer o pagamento, talvez não. Talvez nem tenha arranjado trabalho e talvez nem tenha comprado a tal marmita e o frango.

O que sei é que, nesses tempos de pandemia, com o desemprego no Brasil batendo a casa dos 15 milhões de pessoas e com um quarto da população brasileira vivendo na chamada “Linha da Pobreza”, a situação está feia para muita gente. E não estou falando, apenas, de um contingente de brasileiros que, mesmo antes da pandemia, já vivia situações gravíssimas de privações, sendo que boa parte deles, inclusive, já era atendida por instituições sociais, religiosas e por grande número de voluntários. Estou falando de pessoas que pertencem inclusive à classe média, de gente que por conta da pandemia, está passando aperto, passando por necessidades, por situações que, até então, não tinham passado. Pessoas que estão com dificuldade para pagar a conta de luz, a conta de água, de comprar a cesta básica ou o remédio, algo que eles sempre fizeram, com seu próprio esforço.

Este é um tempo propício para, sem perder de vista o trabalho social que cada um já desenvolve, olhar no seu entorno, olhar para os que estão próximos inclusive. Estou falando do nosso vizinho, do nosso amigo, do nosso colega de trabalho, daquele nosso parente. Estou falando de pessoas que, talvez, jamais tenham coragem de pedir ajuda, mas que podem ser ajudadas com pouca coisa, às vezes, apenas com uma orientação, com uma mão amiga e uma cabeça mais tranquila, capazes de lhes mostrar caminhos, de lhes propiciar a abertura de algumas portas.

A maioria das empresas do nosso país está passando por dificuldades e, mesmo assim, muitas delas, estão mantendo empregos, a duras penas, para não aumentar ainda mais o caos social. O governo, dentro do que lhe é possível fazer, também tem contribuído com os “auxílios emergenciais”. As instituições sociais, mesmo com toda a dificuldade imposta pelo necessário distanciamento social, têm atendido milhares de pessoas que vivem em situação de risco social.

Nós podemos, embora também tenhamos problemas nesse momento, ajudar um pouco, ligar para algum amigo, vizinho ou parente que a gente sabe que pode estar precisando de alguma coisa, de uma cesta básica por exemplo ou de uma palavra amiga, de aconselhamento, de esperança, e lhe oferecer a nossa solidariedade. Também podemos ajudar através dos diversos grupos que atuam nessa pandemia, como se fossem anjos de Deus aqui na terra, amenizando o sofrimento de muitos irmãos.

Definitivamente, este não é um momento para, apenas, agradecermos porque não temos problemas com a nossa subsistência, com a manutenção de um mínimo de conforto para nós e para os que amamos. Este é mais um momento para exercitarmos a nossa fé através das obras.

A Fé sem obras é uma fé morta. Precisamos agir, de forma ativa e participativa, como instrumentos de mudança na vida de nosso semelhante. Para isso, temos que ser solidários com a dor, o sofrimento e as carências vividas por tantos, neste triste momento que passamos. Ninguém tem tão pouco que não possa compartilhar o pouco que tem, com aquele que nada tem. Não podemos nos manter indiferentes, alheios à situação de pobreza e de miséria vivenciada por tantos brasileiros, nesse momento.

A solidariedade, também não precisa ser circunscrita a ajuda com bens materiais. Há muitas formas de ser solidário, muitas das quais, não dependem de dinheiro. Milhares de pessoas padecem de solidão, e silenciosamente, sofrem pela ausência de um ombro amigo, pela ausência de alguém que as ouça, que compartilhe com ela a sua dor…

Nosso grande desafio, é aprender “que os joelhos que se dobram para a oração, precisam ser desdobrados em braços solidários” que se abrem para o acolhimento, para a ajuda, para o sustento daqueles que necessitam.

*Eugênio Maria Gomes é escritor

  • Texto publicado no DIARIO DE CARATINGA em 25 de abril de 2021

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*Eugênio Maria Gomes

Por ora, chega de notícias ruins. Hoje, eu quero falar de coisas boas…

Não quero falar nada sobre a Monique Medeiros, a mãe do Henry Borel, o garoto de quatro anos, assassinado recentemente. Quero falar da Maria dos Anjos, uma linda e sofrida senhorinha, residente no interior de Minas Gerais, que criou dez filhos, trabalhando na lavoura e vendendo hortaliças na feira da pequena cidade. Alguns filhos se casaram e foram para São Paulo, outros, ficaram por ali mesmo e, na medida em que iam tendo filhos, iam deixando com a vovó para serem criados. Criou outros dez, sem contar os que passaram por lá, como “filhos de criação”, e outros que acolheu como se fossem seus. Amou a todos, entregou-se a cada um, foi o que costumam ser as mães, durante suas passagens aqui na terra: anjos sem asas, amando e protegendo as suas criaturinhas.

Não quero falar de uma professora lá de Cuiabá, demitida depois de agredir duramente um aluno do ensino básico, com apenas seis anos de idade. Quero falar de outra professora, a Maria das Dores, residente no sertão pernambucano, que excluída de qualquer tecnologia, e proibida de usar a sala de aula oficial – uma tapera, coberta com folhas de coco e paredes de pau a pique -, por conta da pandemia, diariamente sai de sua casa, anda quilômetros a pé, em estrada de chão batido, para entregar e recolher, de porta em porta, os ensinamentos e as tarefas aos alunos. Em cada parada, conselhos, palavras motivadoras e de esperança.

Não quero falar mal de Manaus, a capital da Amazônia, encrustada na maior floresta do planeta e que possui o menor percentual de arborização entre as cidades brasileiras com mais de um milhão de habitantes. Quero falar de Goiânia, a capital verde do Brasil, que possui cerca de noventa e cinco metros quadrados de área verde por habitante, atingindo, proporcionalmente, o segundo lugar no planeta, perdendo apenas para Edmonton, no Canadá. Uma cidade que, independentemente de quem a administra, desenvolveu mecanismos de desenvolvimento urbano com responsabilidade ambiental.

Não quero falar dos nossos rios poluídos, dos nossos córregos que mais se parecem com esgotos a céu aberto. Poderia até falar do Sena ou do Tâmisa, exemplos de rios que já foram muito poluídos e hoje são chancelados como rios limpos. Mas, quero falar do rio Sucuri, localizado nas proximidades da cidade de Bonito, em Mato Grosso do Sul, na Serra da Bodoquena. Um rio de águas límpidas, com fauna e flora aquáticas de tirar o fôlego, até mesmo através de vídeos e fotos. Um daqueles rios brasileiros que o homem, ainda, não conseguiu estragar.

Não, eu não quero falar de tristeza. Já a temos demais em nosso cotidiano, muito mais acentuada nesses tempos de pandemia. Eu quero falar de alegria. Do neto que aprendeu a declamar uma poesia, da neta que entrou na pré-adolescência, de uma sobrinha-neta que nasceu e de outra que está a caminho. Quero falar de parentes e amigos que já tomaram a primeira dose da vacina e da esperança que se fortalece com a proximidade da segunda.

Quero falar de cooperativas que doam parte de seus lucros para o combate à pandemia; de restaurantes que, mesmo em tempos de crise, doam refeições aos mais carentes; da padaria que colocou um cesto de pão na porta com a inscrição: “se tiver dinheiro, deixe na caixa ao lado. Se não, leve o pão que você precisar”; quero falar dos internautas que fizeram uma gorda vaquinha virtual e compraram colchões e cestas básicas para famílias em situação de risco social, no Acre; quero falar de pessoas que, anonimamente, reunidos em um grupo denominado “Anônimos do Bem”, têm ajudado muita gente, buscando suprir uma parte das suas mais diversas necessidades; quero falar de um dono de restaurante, na Geórgia (EUA), que ao sofrer uma tentativa de roubo ofereceu emprego ao infrator, recuperando-o.

Não quero falar da violência policial americana, que ceifa vidas cotidianamente, de racismo, de porte de armas, de agressividade ou de comportamentos e de discursos raivosos, que destilam ódio a cada palavra que é dita. Quero falar que é possível haver uma polícia eficiente, que sequer utilize armas letais, como a polícia inglesa; que é possível vivermos em uma sociedade harmônica, onde as diferenças sejam respeitadas como na Nova Zelândia; quero falar que é possível através do diálogo, do respeito recíproco, da firmeza de princípios desde que associada a elegância do discurso, termos um ambiente político que não nos cause tanto constrangimento, tanta vergonha, nos transformando em um vexame mundial.

Porém, mesmo que pareça difícil, no momento, e apesar de tudo que vemos acontecer a cada dia, ainda há muitas coisas boas acontecendo, muita gente boa atuando como catalizadores das transformações que queremos e merecemos ver e, que, por vezes, podemos mesclar tudo isso com as inúmeras notícias ruins que nos chegam todos os dias.

De vez em quando, dá para não falar apenas dos espinhos, mas também falar das flores.

*Eugênio Maria Gomes é escritor


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*Eugênio Maria Gomes

Vivemos um tempo em que tudo parece diferente de “antigamente”. Não estou falando de tecnologias, de infraestruturas urbanas ou de comodidades, porque isso realmente, nos tempos hodiernos, em nada se parece com o que tínhamos e usufruíamos há alguns anos. Estou falando de valores, de relacionamentos, de posturas, da forma de enxergar a vida e de compreender o outro. Em relação a estes aspectos, muita gente está encontrando dificuldade para perceber que algumas questões não mais poderão ser tratadas ou aceitas como ocorria em outros tempos. A exemplo do bullying, uma forma preconceituosa de se referir às pessoas, que sempre disfarçam tentativas de menosprezar aqueles que não se enquadram nos padrões estereotipados impostos pela pretensa cultura dominante.

Isso é “mimimi”! Esta é uma frase muito comum que costumamos ouvir, quando alguém reclama por ter sido vítima de comentários maldosos ou de atitudes preconceituosas. Alguns falam de um suposto saudosismo. De um tempo, em que a vida não apenas corria mais devagar, mas no qual as pessoas que compõem as chamadas “minorias” aceitavam melhor as coisas e não reclamavam de nada.

De fato, não reclamavam. Piadas eram feitas, “brincando” com pessoas obesas, com alguém que tivesse o cabelo crespo, que tivesse uma orientação sexual diversa ou que professasse uma religião afrodescendente e, aparentemente, eles não ligavam e, até, costumavam rir com quem os provocava. Mas, acreditem, era só aparentemente. No fundo, eles sofriam. Calados, mas sofriam.

Ocorre que os tempos mudaram. As pessoas passaram a ter mais acesso à informação e aprenderam a se posicionar. As denominadas minorias se cansaram de ser “objeto de chacotas”, de ocuparem os piores postos de trabalho, de não terem acesso aos benefícios e direitos dos demais e de ouvirem, o tempo todo, como desculpa para as ofensas que recebem, coisas do tipo “eu não sou racista”, “eu não sou homofóbico”, “eu não sou xenófobo” e “eu não sou gordofóbico”, entre outros hipócritas argumentos.

Sim, sempre falamos e vivenciamos esses acontecimentos e, mesmo sem termos, algumas vezes, a real intenção de ofender, de fato, ofendíamos os outros sim. As vítimas das nossas ofensas é que viviam em uma situação de dominação e não tinham sequer forças para lutar contra isso. Hoje elas têm voz e estão certas ao exigirem respeito de todos nós. Sim, essas pessoas mudaram e cabe a nós mudarmos também.

Se é chato para mim, para você ou para qualquer um ficar ouvindo isso sem parar, tenha certeza de que também é muito chato para eles terem de nos lembrar disso o tempo todo. E mais: é muito doloroso para eles a convivência constante com a discriminação, com o preconceito e com a percepção de que são tradados com inferioridade.

Eu quero mesmo acreditar, que muitas vezes esses comentários maldosos não são feitos com o real intuito de ofender, mas também entendo que até nisso precisamos mudar, pois se fomos “acostumados” a falar o que queríamos com os outros, agora não podemos mais. Quando ofendermos alguém, mesmo sem a real intenção de fazê-lo, o mais correto é que peçamos desculpas e aprendamos a não fazê-lo mais. Ficar buscando desculpas, chamando de “mimimi” ou insistir que não se é preconceituoso, é alimentar o preconceito estrutural que existe em nossa sociedade.

As vezes é difícil perceber esse preconceito estrutural porque muito dele se encontra, justamente, disfarçado de inofensivas brincadeiras. É mais fácil constatar as violências físicas sofridas diariamente por negros, mulheres ou homossexuais, estampadas cotidianamente nos noticiários. Ou as dificuldades de locomoção enfrentadas por pessoas com sobrepeso, idosos ou portadores de necessidades especiais, diante de aparelhos urbanos e de transporte inapropriados para suas especificidades. O mais difícil e perceber que as aparentemente inofensivas brincadeiras que são feitas, nada mais são do que reflexos cruéis dessa infeliz característica de nossa sociedade. Menosprezar e subjugar os que não se adequam aos padrões estereotipados, impostos por uma cultura de dominação dos que são diferentes…

Muito já se evoluiu nesse aspecto, tanto em relação aos que se mantinham em silencio quando ofendidos – porquanto apropriaram-se do “ter vez” e “ter voz” -, quanto dos ofensores que, aos poucos, vão entendendo um pouco mais sobre o que é empatia, sobre o que é sentir na pele o que o outro sente. Mas a luta é árdua. E não pode parar.

Mas creio que haverá um tempo, no qual, finalmente, percebamos que a glória da criação está justamente na diversidade de suas formas, que devemos nos diferenciar apenas por nossos talentos e por nosso caráter, e que nossa aparência física, nossa etnia, nossa posição social, são apenas invólucros, uma mera embalagem, a ocultar nossa verdadeira e genuína igualdade, a de que todos fomos criados à imagem do Criador, que nos fez iguais, ainda que diversos e semelhantes, ainda que plurais!

*Eugênio Maria Gomes é escritor


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*Eugênio Maria Gomes

A frase que dá título ao presente é uma síntese metafórica da conclusão de Thomas Hobbes sobre a natureza humana e que veio à tona durante uma conversa com o amigo José Horta, o excepcional editor do DIÁRIO DE CARATINGA e um ser humano ímpar, quando falávamos sobre a pandemia e se seria necessário outro dilúvio para propiciar o surgimento de uma nova humanidade, uma vez que, parece, o ser humano não tem jeito mesmo. Nesse momento, ele registrou que não seria preciso água, fogo, nada disso, pois o homem mesmo dará conta de acabar com a Obra da Criação, sendo ele próprio o lobo do homem.

Claro que não podemos generalizar, mas é razoável pensar que alguns exemplares da nossa espécie sequer conseguem alcançar a real dimensão do grande problema que estamos vivendo, nestes tempos de pandemia. Quantas vidas perdidas mundo afora, quantas pessoas desempregadas, quanta fome, quanta dor, quanta miséria! E, não obstante tudo isso, muitos seguem a vida como se nada estivesse acontecendo, agindo como se o momento fosse ideal para mostrar sua pseudo supremacia, para humilhar os outros, para tirar vantagens em um mundo de tantas desvantagens, de tanto sofrimento.

Alheios ao triste momento por que atravessa o planeta, muitos passam seus dias tentando convencer outros de que o seu político de carteirinha está certo, de que o outro está errado; minimizando mortes, disseminando medos e compartilhando mentiras; ainda tem gente defendendo a ditadura militar em oposição ao comunismo, como se não houvesse outro caminho possível; há gente utilizando a boa-fé das pessoas para tirar proveito para si próprio e, infelizmente, muitas “religiões” usando o nome de Deus em vão para enganar, mentir e ludibriar fieis.

O lado “lobo” do homem se escancara quando empresários e políticos promovem uma sessão clandestina de vacinação em Minas, furando a fila de quem espera, pacientemente, pelo cumprimento do cronograma do SUS, enquanto milhares de outros brasileiros, ao longo de todo o país, aguardam vagas nas UTIs. O pior: para tomarem uma vacina que não se sabe de onde veio, talvez falsificada ou, ainda, resultante do furto de algum órgão ou instituição.

O lobo mostra suas presas quando uma enfermeira, com a maior cara de pau e demonstração de desumanidade, faz de conta que aplicou uma vacina em um idoso, seja por maldade, seja para poder reutilizar o precioso líquido em troca de alguns reais…

Somos todos “lobos” quando jogamos comida fora, enquanto milhões passam fome sem ter um pedaço de pão para comer; quando agredimos o meio ambiente e dele fazemos uso como se fosse nossa propriedade exclusiva; quando roubamos o outro, quando fraudamos a empresa, quando corrompemos o governo e o Estado.

O lobo mostra suas presas, mais afiadas, quando se defende o respeito ao direto da propriedade intelectual das patentes de vacinas, por parte de alguns poucos conglomerados farmacêuticos, em detrimento do direito à vida de bilhões de pessoas mundo afora, em países que sequer iniciaram a imunização de sua população, sequer possuem recursos para adquiri-las. Mesmo nas regiões do planeta que sediam esses fabricantes, já se constatou que esses conglomerados não são capazes de produzir vacinas em quantidade suficiente para atender sua própria população, enquanto há plantas produtoras ociosas, capazes de aumentar significativamente a produção, em um esforço mundial pela universalização do direito a imunização.

Somos todos “lobos” quando se tem o ultraje de defender a aquisição de vacinas pela iniciativa privada, neste momento de horror extremo, quando todos sabem que não há vacinas disponíveis para serem adquiridas pelos governos e distribuídas equanimemente por toda a população, sem distinção de classes, e essas empresas, apenas as muito ricas, vão acirrar uma desleal competição pela aquisição desse bem tão valioso, criando ainda maiores distorções na imunização global, e mais uma vez, corroborando a triste constatação de que não somos iguais no direito a vida, pois alguns o tem assegurado, outros não, que alguns de nós somos lobos vorazes, enquanto outros são ovelhas indefesas.

A situação vivenciada neste triste início de século, por todo o mundo, e a situação de horror instalada no Brasil, não nos permite, no momento, discordar da lamentável conclusão de Hobbes, e constatar a profunda degradação Moral a que chegou nossa espécie.

Ao mesmo tempo, precisamos rogar aos Céus que nos seja complacente e piedoso, para que nós, os degredados filhos de Eva, condenados à expulsão do Eden pelo pecado original – a desobediência-, demonstrando uma tendência, uma inclinação de todos para o mal, só corrigível pela voluntária e verdadeira redenção cristã, não sejamos novamente, degredados, desta vez, da nossa própria vivência terrena, só que por um pecado ainda mais terrível – o Egoísmo.

“o Homem é o lobo do Homem, sempre em guerra de todos contra todos” – Thomas Hobbes.

*Eugênio Maria Gomes é escritor

  • Texto publicado no DIARIO DE CARATINGA em 7 de abril de 2021