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Eugênio Maria Gomes

Texto de autoria de Eugênio Maria Gomes, publicado no jornal Diário de Caratinga, em 12/01/2017

Caro leitor, após um necessário período de férias estamos iniciando a publicação da nossa coluna “Começo de Conversa” em 2017. A partir de agora, a coluna será quinzenal. Vamos dividir o espaço com a ACLA – Academia Caratinguense de Letras -, da qual tenho o maior orgulho de fazer parte, e que abrilhantará este espaço, a cada quinze dias, com muita coisa boa, em “Prosa & Verso”.   Não poderia deixar de escrever, hoje, sobre outra coisa, que não fosse a sensação que anda incomodando a todos nós: parece que não tivemos, ainda, um ano novo. Ao final do ano passado, tudo o que desejávamos era que 2016 terminasse, que viesse um novo ano, diferente, melhor do que  aquele que ora terminava. Sim, o ano passado foi difícil para quase todo o mundo, especialmente para nós brasileiros, quando o agravamento da crise política acentuou, ainda mais, os problemas econômicos do país, que teve no último trimestre do ano o maior índice de desemprego de sua série histórica, alcançando a estratosférica marca de 12,3 milhões de desempregados. Em relação ao mesmo período do ano anterior, o desemprego no país cresceu cerca de 36%. É muita gente na fila dos “desesperados”, em busca de rendimentos, lutando para não entrar na estatística da miserabilidade.   Se não bastassem a pouca “freqüência” de dinheiro no bolso e as portas fechadas a milhões de trabalhadores, ainda tivemos que conviver com as tristes informações a cerca do mau uso dos impostos que pagamos, com parte deles sendo utilizada para comprar joias para esposas de políticos, por valores que muitos de nós levaríamos uma vida inteira para ganhar trabalhando. Passamos pelo medo do Zika Virus associado à microcefalia; gastamos milhões – que não tínhamos – em uma bela Olimpíada e nos enganamos por alguns dias que tudo estava bem; vimos o país, referência da democracia e da liberdade, eleger um “maluco” que teve como mote de campanha construir muros, fechar fronteiras, restringir liberdades e controlar a economia de mercado; vimos a prisão de políticos importantes – inclusive de ex-governadores – por conta de seu envolvimento em falcatruas, em roubos, que sangraram cidades e estados e, para completar, perdemos Umberto Eco, um dos maiores escritores contemporâneos, assim como D. Paulo Evaristo Arns, um baluarte na defesa da ética, da decência e dos pobres.   Nunca comemoramos tanto uma virada de ano. Graças a Deus, 2016 estava terminando. Demos boas vindas a 2017 e excomungamos o ano que terminava.   Pois bem, o ano novo começou e, passado o primeiro mês, é como se tivéssemos dado continuidade ao ano que passou. Aliás, no ritmo que está indo, até aqui, tudo indica que teremos um ano muito ruim. Não, eu não estou sendo pessimista, estou sendo realista. Em menos de 40 dias do início do ano novo, vimos presídios sendo destruídos, condenados dando ordens para autoridades, presos em atos de selvageria, nunca antes vistos, com direito a decapitações e tudo; estupefatos, recebemos a noticia da morte de Teori Zavask, o ministro do Supremo que ajudava a Operação Lava jato a andar; continuamos com pouco dinheiro no bolso e só vemos aumentar a fila dos desempregados; vivemos a ansiedade do fim do processo das delações de funcionários da Odebrecht, que promete desmoronar o Congresso Nacional e vimos Donald Trump tomar posse e começar a cumprir tudo o que de ruim havia prometido. Aliás, sobre Trump está claro de que ele é o protótipo do que de pior a sociedade americana poderia produzir: um ser sexista, xenófobo e racista. A Donald Trump falta, inclusive, a educação e a postura que marcaram os grandes presidentes da história recente dos EUA.   Nossa situação é triste, muito triste. Além de tudo o que registrei acima, vivemos o caos no Sistema de Saúde Pública e temos, cada vez mais, dificuldade de acesso à Saúde Privada; grande parte das nossas organizações privadas são tão corruptas quanto a maioria das instituições públicas; grande parte das prefeituras e dos estados está quebrada; os profissionais da Educação estão, cada vez mais, desvalorizados; estamos com politicagem demais e Política de menos; o número de moradores de rua crescendo, assustadoramente, nas cidades; percebemos o descontrole social em relação ao uso de drogas ilícitas e à prostituição e um grande descaso em relação ao meio ambiente; nossa Cultura está relegada aos segundo e terceiro planos; não temos nenhuma certeza se aprendemos o suficiente para saber o valor do voto e, para terminar, vivemos a ameaça da febre amarela por estas bandas, enquanto os capixabas foram submetidos ao, inaceitável, “toque de recolher”…   Sinceramente? Queria muito que janeiro chegasse logo…     Eugênio Maria Gomes é diretor da UNEC TV, professor e pró-reitor de Administração do Unec – Centro Universitário de Caratinga. Membro da Assembleia da Funec – Fundação Educacional de Caratinga, do Lions Itaúna, do MAC- Movimento Amigos de Caratinga, da Loja Maçônica Obreiros de Caratinga e das Academias de Letras de Caratinga e Teófilo Otoni. É o Secretário de Educação e Cultura do GOB-MG.


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O comboio foi parando devagar na plataforma, onde um mundo de gente esperava para embarcar e, outro, para sair dos vagões. Enquanto aguardava o desembarque, as pessoas foram entrando, encontrando-se com as que saiam numa embaraçosa demonstração de falta de educação. Quando o último passageiro saiu, entrei no vagão mais próximo. Lotado.


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Dia desses, recebi uma mensagem pelo WhatsApp, contendo o vídeo de um apresentador americano - Stephen Colbert -, falando de todas as nossas mazelas em preparar as Olimpíadas do Rio, com início no próximo mês. No programa veiculado no tal vídeo, o ridículo sujeito ridiculariza outros ridículos personagens cariocas, tais como o prefeito da capital dos jogos – Eduardo Paes -, e o governador interino do estado, Francisco Dorneles – aquele que não sabe se vai, ou se fica...


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Voltando do dentista, passei na casa da D. Miriam Mangelli para lhe mostrar o texto feito para a Alto – Academia de Letras de Teófilo Otoni -, intitulado “As raparigas de Seu Nô”. Fi-lo por conta de ela ser citada na crônica, em busca de seu aval para a sua participação na história. O texto foi aprovado através...


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Naquela terça-feira, dez dias após o início de outono, dia 29 de março de 1938, em Senador Firmino – uma pequena cidade banhada pelo rio Turvo, localizada no interior das Minas Gerais -, a jovem senhora Maria Aparecida Cabral Gamarano teve as dores recompensadas pelo sorriso no rosto...


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Não existe, aparentemente, paradoxo maior do que nascer e morrer. Sim, apenas em função de nossa pequenez diante do complexo universo do qual fazemos parte, esses dois conceitos são díspares. A lógica nos diz, a todo instante, que o segundo tem início assim que o primeiro acontece. É biológico mesmo, pois começamos a morrer no exato momento em que nascemos. Mas, como nos acostumar com a morte, se o melhor é a vida? Ou não?


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Quando chegamos a Caratinga, no início da década de noventa, minha esposa – médica efetiva do Ministério da Saúde - enfrentou as mesmas dificuldades encontradas por médicos recém-chegados a qualquer cidade do interior, naquela época: a barreira imposta pelos dirigentes locais em relação ao acesso aos hospitais, o difícil acesso aos convênios e a complicada aceitação social pela classe dos médicos “mais antigos”. Porém...



Não sei o que dizer do trecho da entrevista dada pelo ex-presidente Lula aos blogueiros, no dia 20 de janeiro de 2016 no Instituto que leva o seu nome, ao comentar a Operação Lava Jato: “Não existe viva alma mais honesta do que eu nesse país. Pode ter igual, mas eu duvido”. Até aqui, exceto...