MEU SENHOR E MEU DEUS!

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Você já se deu conta que, em momento algum, Jesus o obriga a segui-lo? Pelo contrário, ele apenas o convida, mas lhe dá o livre arbítrio para escolher. “Quem me serve precisa seguir-me; e, onde estou, o meu servo também estará”. Ora, em todas as passagens do Novo Testamento, vamos encontrar o Jesus que prefere os pobres, os oprimidos, os marginalizados. Os “homens de Deus” e as “puras mulheres” das religiões precisam entender, de uma vez por todas, que Jesus não foi humilhado, escarrado, apedrejado e crucificado por ser santo – como de fato o é -, mas por ser e pensar diferente dos “doutores da lei”, dos “homens fieis e santos”, e por discordar de um pensamento que era dominante na época. 

Jesus andava com ladrões e prostitutas, os acolhia, os perdoava e os ajudava. Ah, mas com essa parte da história e dos ensinamentos de Jesus você não concorda? Então, talvez, seja melhor abandonar o cristianismo e procurar outra coisa para acreditar e cuidar.

Se Jesus estivesse aqui seria socialista? Se assim o fosse, certamente seria crucificado de novo, pelo menos aqui no Brasil, já que para os “entendidos” em ideologias, cá, por essas bandas, socialismo é sinônimo de comunismo, e como comunista come criancinhas… Uma coisa é certa, Jesus não se meteria nessa discussão fútil sobre direita e esquerda, capitalismo e socialismo… Pelo que Ele andou dizendo e está registrado na Bíblia – e é de bom tom que o cristão acredite no que lá está escrito -, certamente Ele iria aprovar o Estado Laico, pois foi assim que respondeu ao questionamento sobre a imposição do pagamento de impostos a Roma: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. 

Em todos os lugares do mundo em que a religião se misturou com a política, o resultado foi – e ainda o é em muitos países – a divisão, a morte e a dor. Não que os políticos não possam professar sua fé, acreditar em um ente supremo e praticar a sua crença, assim como não faz sentido pensar que um religioso não possa se posicionar politicamente, ou gostar ou não de determinado gestor público. Estou falando de não misturar Bíblia com Constituição, porque isso já está mais do que provado, por centenas de anos de História, que não funciona.

O Cristão é um cidadão de dois mundos. O Terreno e o Celestial. Possui obrigações e deveres para com ambos, São dois mundos interligados, mas regidos por normas diferentes, de origem e fundamentos diferentes. São mundos de naturezas diferentes, muito bem demonstrados na própria pessoa de Jesus, ao mesmo tempo humano e divino. E, claro, não devemos nos esquecer nunca que só chegaremos, de fato, ao mundo Celestial, se tivermos uma boa passagem pelo mundo Terreno, amando o próximo – e não pode haver qualquer discriminação acerca de quem é o próximo -, como a nós mesmos. 

O que para mim, porém, está muito claro é que se você não gosta de negro, não gosta de pobre, acha que os ladrões e assassinos deveriam ser exterminados, que as prostitutas deveriam ser presas, que os que possuem orientação sexual diferente da sua queimarão no mármore do inferno, que índio não é gente, que o Brasil devia fechar as fronteiras e expulsar os imigrantes e que os recursos naturais são seus, e que você pode fazer o que quiser com eles, é bom ir arranjando outro deus para seguir, porque o Deus de Javé, o Cristo, o Espírito Santo, Este disse com todas as letras que “Vinde benditos de meu Pai! Recebei como herança o Reino que meu Pai vos preparou desde a criação do mundo! Pois eu estava com fome e me destes de comer; eu estava com sede e me destes de beber; eu era estrangeiro e me recebestes em casa; eu estava nu e me vestistes; eu estava doente e cuidastes de mim; eu estava na prisão e fostes me visitar”. 

Não, seguir Jesus não é tarefa fácil, a não ser que você faça uma leitura deturpada de suas palavras ou, então, que faça do jeito que achar correto, aqui na terra, e deixe a questão para ser resolvida mais tarde, “Pois com o critério com que julgardes, sereis julgados; e com a medida que usardes para medir a outros, igualmente medirão a vós”.

• Eugênio Maria Gomes é Escritor e funcionário da Funec


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